Publicidade
Manaus
Abandono passarelas

Pedestres reclamam que maioria de passarelas de Manaus não têm cobertura

A ausência de cobertura na maior parte das passarelas de Manaus é motivo de queixa entre os pedestres que acabam enfrentando sol e chuva sem nenhuma proteção 31/01/2012 às 07:37
Show 1
Na rua Mário Ypiranga, antiga Recife, drama de pedestres se repete
Florêncio Mesquita Manaus

 “Atravessar as passarelas de pedestres de Manaus só se for de guarda chuva”. É o que afirma a pastora Maria Guilhermina, 56, que figura como uma das dezenas de pessoas que diariamente utilizam as passarelas construídas sem cobertura para proteger o usuário do sol e da chuva.

A reclamação, comum entre os usuários, revela uma situação que ocorre há anos em áreas de grande fluxo de veículos onde as passarelas foram construídas e que parece longe de mudar.

A maioria das passarelas de pedestres na capital não tem cobertura. Sem outra alternativa para se abrigar das intempéries, o jeito é o pedestre improvisar. O auxiliar de administração Carlos Pereira, 22, por exemplo, diz que o jeito é correr para não se molhar tanto durante a chuva. “Em um momento faz sol, minutos depois tá chovendo e quando preciso atravessar a passarela uso o que tenho a mão para me proteger, seja uma sacola, uma pasta porque cobertura que é bom não tem. Mesmo correndo na passarela não adianta muito”, disse.

 Para a industriária Cíntia Silva, 42, correr está fora de questão. Ela conta que mesmo com uma limitação física no joelho, que a impede de correr, prefere usar a passarela. “Ao contrário das pessoas que se arriscam entre os carros, não tenho a mesma coragem. Seja com chuva ou com sol tenho que usar a passarela, mas não entendo porque tem cobertura.

 É algo simples que poderia ter sido feito na construção. Ninguém responde por que não tem cobertura”, disse. A situação da falta de cobertura nas passarelas ocorre, entre outros locais, nas avenidas Pedro Teixeira, Djalma Batista, André Araújo, Darcy Vargas e Grande Circular. A falta de manutenção aliada ao vandalismo contra as estruturas é outro ponto reclamação dos pedestres. Algumas passarelas estão tomadas por faixas publicitárias, cartazes, pichação e lixo.

Do total de passarelas que existem em Manaus, a minoria possui cobertura. As passarelas da cidade são divididas entre as que foram construídas pela Prefeitura de Manaus e as que são fruto de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre a iniciativa privada e o município. Exemplos de passarelas construídas por meio de TAC são as do Amazonas Shopping, nas avenidas Darcy Vargas e Djalma Batista e a do Manauara Shopping, na avenida Mário Ipiranga Monteiro.

Apesar de ser a mais recente, a passarela da avenida Darcy Vargas também não tem cobertura. O único isolamento no teto da passarela são telas de metal que não oferecem nenhuma proteção contra o sol ou chuva. A passarela foi inaugurada em setembro do ano passado e figura como um das poucas que tem rampas de acesso para cadeirante.

Preocupação é com os carros

Para o arquiteto e urbanista Jaime Kuck, a inexistência de cobertura nas passarelas é o reflexo da falta de preocupação do poder com o cidadão. Ele explica que a passarela é pensada para resolver o problema dos carros e não do pedestre. Jaime acredita que o problema é conceitual e que desprivilegia o pedestre. “Em Manaus, a passarela é concebida para solucionar as necessidades dos carros e passa longe de ser pensada sobre o ponto de vista do pedestre. Quando se valoriza o carro, o conforto do pedestre não está em primeiro lugar se fosse o contrário, todas as passarelas seriam diferentes”, disse.

Segundo Kuck, alguns dos “investimentos milionários” que são feitos para privilegiar os veículos poderiam ter melhores resultados se fossem pensados no pedestre. “Falta de visão urbana. Se pensassem em projetos e soluções a partir da visão do pedestre a cidade seria melhor”, disse.

Ele ressalta que a única intervenção positiva nos últimos anos, do ponto de vista urbano, foi à inserção da cor vermelha nas faixas de pedestres. “Hoje o condutor está mais consciente e pára na faixa. O mesmo pensamento deveria ser aplicado às passarelas”, disse.