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Manaus
trocas na polícia

Pedido de afastamento do comandante da PM pegou a tropa de surpresa

Coronel James Frota pediu afastamento porque é alvo de um inquérito. O militar também é investigado por suposta participação do esquema de compra de votos nas eleições de 2014 12/05/2016 às 17:51 - Atualizado em 12/05/2016 às 17:52
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James Frota ressaltou que afastamento é temporário. Foto: Gilson Mello/Arquivo AC
Kelly Melo Manaus (AM)

O Comandante-Geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Marcus James Frota Lobato, foi afastado da funções no fim da tarde de ontem (11), e “pegou” a tropa de surpresa. A partir de hoje (12), quem assume o mais alto posto da corporação é o subcomandante, coronel Rubens de Sá Soares.

No comando da PM há apenas sete meses, Marcus Frota comunicou o seu afastamento por meio de uma carta, encaminhada ao governador José Melo e acatada no fim da tarde de ontem. Na carta, Frota afirma que a decisão trata-se de um pedido pessoal dele e que foi tomada para “evitar qualquer suspeita de uso do meu posto ou autoridade para interferir ou mesmo influenciar qualquer deliberação”, uma vez que o comandante é citado em um inquérito policial.

Embora o documento não deixe claro sobre a natureza da investigação, fontes de A Crítica afirmaram que Frota também é alvo de investigação por ter participado do esquema de compra de votos nas eleições de 2014, que culminaram com o processo de cassação do governador José Melo. Na época, o ex-comandante geral era o comandante de Policiamento do Interior (CPI).

Ainda em 2014, o então comandante da PM, coronel Eliézio Almeida da Silva, e o subcomandante, o coronel Aroldo da Silva Ribeiro, foram afastados judicialmente dos cargos, também por terem participado do mesmo esquema.

No comunicado feito ao governador, Marcus Frota afirma que durante as investigações colaborou voluntariamente e que prestou as informações necessárias, inclusive com depoimento formal. “Neste passo em que o inquérito está sob a responsabilidade do Ministério Público, vejo meu afastamento como medida idônea, transparente e responsável. Esta é uma decisão de caráter pessoal, mas que traduz bem a conduta deste comandante diante dos seus comandados, de conduzir cada sentença com firmeza e coragem”, disse ele.

Receio

Agora sob o comando do coronel Rubens de Sá Soares, a queda de Frota deixou a corporação ainda mais receosa sobre o futuro da instituição.

 (Novo comandante atuou por muitos ano no TJ-AM)

Para muitos policiais, Sá Soares não possui perfil operacional, uma vez que ele sempre atuou à disposição do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

 

(Em 2012, ele foi agraciado com a medalha Ordem do Mérito Judiciário)