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Manaus
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Pequenas reformas podem representar grandes riscos

Em Manaus, assim como em todo o País, são comuns alterações estruturais em  imóveis. Engenheiros alertam para perigo 11/02/2012 às 16:07
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Quando se pensa já ter visto tudo em termos de reforma, esbarra-se com um ‘puxadinho’ no conjunto Ayapuá. Morador do terceiro andar resolveu criar um sobrado
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus

Profissionais de engenharia desaconselham a alteração estrutural em edificações, feita por moradores, sem respaldo técnico. Pequenas mudanças que, aparentemente, não oferecem risco, podem comprometer a estrutura de prédios inteiros. Até o ato de furar uma parede para trocar a fiação elétrica pode representar risco aos moradores e possíveis desabamentos de prédios como os que ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro, no início deste ano. Se pequenas alterações são perigosas, a troca de paredes, retirada de colunas e a construção de “puxadinhos” são muito piores.

Em Manaus, não é difícil encontrar prédios cujas estruturas foram quase que completamente alteradas. No conjunto Ayapuá, Zona Oeste, por exemplo, as modificações nos prédios são diversas. Uma das alterações que mais se repete nos edifícios é a abertura de janelas e espaços para condicionadores de ar em paredes que não foram projetadas para esse fim.

Em quase todos os prédios existe a abertura que fragiliza a estrutura. Em outro ponto do conjunto, um edifício em particular chama a atenção de quem passa pelo local. Um morador construiu um sobrado em cima dos outros andares, ampliando o apartamento para cima, sendo que o projeto de conjunto contempla apenas três andares.

De acordo com o engenheiro civil Isaías Pond, as mudanças estruturais em um apartamento sempre devem ser acompanhadas por um profissional da área. As alterações, diz ele, podem não trazer prejuízos visíveis imediatamente, mas a longo prazo podem colocar em risco a estrutura de um prédio.

“Criar um sobrado ou ‘esticar’ um cômodo, por exemplo, com certeza resultará num esforço diferente do que foi planejado”, comenta o engenheiro. Segundo ele, toda estrutura de um prédio é balizada por um engenheiro calculista, que até prevê uma margem de “força” a mais no alicerce. “Passando desse limite, algum abalo pode vir a ocorrer”, avisa.

“Quem compra um apartamento e decide transformar um quarto em uma biblioteca, já mexe na estrutura por causa da carga calculada. A mudança na estrutura influencia numa força que poderá ser maior do que a calculada”, sustenta o engenheiro civil Isaías Pond.

Conforme o engenheiro civil Nádson Félix, quem quer promover mudanças em um apartamento deve estar de posse da planta do prédio (documento que, obrigatoriamente, deve ser fornecido pelas construtoras aos clientes) e do Manual do Proprietário.  As mudanças no lay out podem e devem ser acompanhadas por um arquiteto, considera ele. “Mas é um engenheiro civil que deverá ser chamado para avaliar se as mudanças comprometem a estrutura”, afirma Nádson Félix.