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Cotidiano, Haitianos, migração, pesquisa, UFAM

Pesquisa da Ufam traça perfil dos haitianos que migraram para Manaus

Estudos faz parte da Atividade Curricular de Extensão (ACE) e foi coordenado pelos departamentos de Antropologia, Serviço Social e Letras, da instituição 08/02/2012 às 11:01
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Haitianos buscam refúgio no Brasil, após terremoto ter devastado o país em 2010
Jornal A Crítica Manaus

Eles são, em sua maioria, do sexo masculino, solteiros, têm entre 20 e 40 anos, com uma média de 28 anos de idade, e possuem escolaridade de nível técnico. Esse é o perfil dos haitianos que migram para o Amazonas, via Tabatinga - a 1.105 quilômetros de Manaus -, de acordo com um levantamento feito pela Atividade Curricular de Extensão (ACE) “Haitianos em Manaus”, coordenado por um grupo de professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo os professores Sidney Antônio da Silva, do departamento de Antropologia; Maria Magela Mafra, do departamento de Serviço Social; e Maria Regina Marinho, do departamento de Letras e Literaturas Estrangeiras, um dos objetivos da pesquisa é conhecer a situação acadêmica dos jovens que pretendem prosseguir com os estudos, tendo em vista a possibilidade de ingresso em cursos da Ufam, por meio do levantamento sociodemográfico dos imigrantes haitianos nos bairros de São Geraldo e São Raimundo.

Além disso, o monitoramento sistematizado dos grupos de haitianos espalhados por vários pontos da cidade tem a finalidade de contribuir com o processo de integração deles junto à sociedade local. Para isso, foram aplicados 150 questionários.

“Uma questão relevante é que a maioria afirma não ter um documento que comprove a conclusão dos cursos feitos no Haiti, fato que dificultará a equivalência dos diplomas no Brasil. Entre os cursos de nível técnico que eles desejam cursar no país estão mecânica, serralheria, informática, eletricista, esteticista, entre outros. Já em nível superior, o interesse se concentra nos cursos de Engenharia, Letras, Psicologia, Relações Internacionais, Agronomia, Administração e Medicina”, revelou o professor Sidney.

Rota
A rota utilizada pelos haitianos que se aventuram fazer a travessia rumo ao Brasil inicia na cidade de São Domingos, na República Dominicana, e segue pelo Panamá, passando por Quito, capital do Equador; Lima, capital do Peru; Iquitos, na Amazônia peruana, e, por fim, Santa Rosa, próximo à fronteira com o Brasil, até chegar em Tabatinga, segundo informações divulgadas nessa terça-feira (7), no site da Ufam.

Conforme a Pastoral do Migrante, entidade ligada à Igreja Católica, existem, atualmente, em torno de 4 mil haitianos em Manaus.

A onda migratória rumo a Manaus começou após o desastre natural (terremoto) que devastou o Haiti, em janeiro de 2010.

As atividades da ACE iniciaram em setembro de 2011, com o treinamento da equipe multidisciplinar (discentes e pesquisadores) e com o mapeamento das áreas com maior presença de imigrantes haitianos.

Visitas ao teatro
A coleta de dados foi realizada por meio de reuniões semanais, as quais incluíram dinâmica de grupo, apresentação de filmes, seminários e debates.

Para o professor Sidney Antônio, as reuniões visaram a busca de uma maior compreensão sobre a forma como os haitianos vivenciam a experiência da migração e de que forma eles têm elaborado os processos de socialização.

Entre as temáticas abordadas estão a formação sócio-cultural brasileira, apontando a participação do negro na formação do Brasil, o papel das migrações na formação social do País, mostrando a contribuição dos migrantes internos e dos imigrantes para o desenvolvimento no final do século XIX e no decorrer do século XX, prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, além de temas alusivos às relações de gênero e direitos humanos. Visitas ao Teatro Amazonas e ao Museu Amazônico da Ufam também foram realizadas.

Colaboradores
As atividades da ACE tiveram como colaboradores o padre Gelmino Costa, da Pastoral do Migrante, que vem coordenando a recepção dos haitianos em Manais e da doutoranda do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura (PPGSCA), professora Márcia Maria de Oliveira.

Idioma
Segundo o professor Sidney Antônio da Silva, a maior dificuldade para a realização da pesquisa foi o idioma.

“No primeiro encontro com os haitianos foram dadas a eles explicações sobre o projeto. Para nos auxiliar, tivemos o apoio de um africano que fala o idioma francês. Nos demais encontros, tivemos que fazer uso dos idiomas espanhol e inglês, pois alguns deles têm domínio dessas línguas. Nesse sentido, a utilização de recursos áudio-visuais facilitou muito o entendimento dos temas que eram tratados durante as reuniões”, explicou.