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Pesquisa desenvolvida em Manaus é eleita uma das mais importantes pela SBD

O trabalho desenvolvido por pesquisadores foi eleito um dos mais relevantes dos 100 anos da Sociedade Brasileira de Dermatologia 07/03/2012 às 07:38
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Pouco comum no Brasil, infecção causada por bactéria presente em carrapatos, pode contaminar o sangue
jornal a crítica Manaus

O trabalho científico desenvolvido pelos médicos Sinésio Talhari e Mônica Nunes Santos, realizado em Manaus, e que comprovou a ocorrência da Borreliose de Lyme no Brasil, acaba de ser indicado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) como uma das 40 pesquisas mais importantes dos 100 anos de existência da entidade. 

Doença recorrente na Europa e endêmica nos Estados Unidos, a Borreliose de Lyme ou doença de Lyme, como é mais comumente conhecida, foi identificada em pacientes de Manaus, no fim da década de 80, por Sinésio Talhari. Estes diagnósticos iniciais permitiram estudo posterior, que se transformou na primeira evidência científica da ocorrência de borrelia no País e na América Latina.

Trata-se de de uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por bactérias em forma de saca-rolhas que tendem a se mover com um movimento ondulante semelhante ao de uma hélice. A Borrelia burgdorferi penetra na pele no local onde se tenha verificado a picada de uma espécie de carrapato, do gênero Ixodes. A doença apresenta quadro clínico variado, podendo desencadear manifestações cutâneas, articulares, neurológicas e cardíacas. Ao fim de 3 a 32 dias, as bactérias passam para a linfa ou, através do sangue, chegam até outros órgãos e zonas da pele.

O trabalho foi registrado por Talhari e pela doutora Mônica Nunes em uma série de artigos científicos já registrados anteriormente nos Anais Brasileiros de Dermatologia (ABD), além de outras revistas científicas internacionais. A pesquisa foi selecionada pela SBD, para compor a edição especial de centenário da SBD ‘ABD – Evolução Histórica dos Anais Brasileiros de Dermatologia’ (volume 87), por ser considerada uma das 40 anotações científicas mais relevantes da recente história da dermatologia brasileira.

No artigo ‘Borreliose de Lyme’, Mônica, Talhari e colaboradores descrevem o método de diagnóstico, a doença e o tratamento de pacientes. A revisão é assinada por Mônica Nunes, Talhari e os doutores Rodrigo Ribeiro e Vidal Haddad Júnior.

Como se trata de uma doença relativamente nova no País, os pesquisadores estabeleceram como centros de referência para o diagnóstico e tratamento da enfermidade, o Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário Nilton Lins, onde atuam no diagnóstico e tratamento desta e outras doenças, os médicos Sinésio Talhari e Carolina Talhari; além do Hospital Adriano Jorge, na rede pública de saúde, onde atua a dermatologista Mônica Nunes, Carolina Talhari e especialistas em reumatologia.

Tratamento é de acordo com estágio
A “Borreliose de Lyme” ainda pouco conhecida em Manaus. A transmissão se dá principalmente através de um carrapto muito comum em roedores e alguns mamíferos, conforme explica Sinésio Talhari.

A olho nu, os principais sintomas são lesões na pele, dores nas articulações, febre e prostração. “No estágio mais avançado da doença, o paciente pode desenvolver um quadro de artrite e manifestações cardíacas mais graves”, destacou.

O dermatologista ressalta que a Borreliose de Lyme tem cura e que o tratamento é administrado de acordo com o estágio da doença. “É importante que aos primeiros sinais de modificação na pele, o paciente busque atendimento médico. A alteração pode ser o sinal desta ou de outras doenças dermatológicas e só um profissional de saúde é capaz de fazer o diagnóstico”, afirma.

Verão e outono
O médico dermatologista Sinésio Talhari é professor da Universidade Nilton Lins e diretor da clínica Dermatologia Talhari, onde atua, também, no atendimento clínico dos pacientes. É um dos únicos a tratar da doença, descoberta em 1975, no País.

O nome, doença de Lyme, foi atribuído por terem verificado numerosos casos dessa natureza na pequena cidade de Lyme, no estado de Connecticut, Estados Unidos, onde já foi considerada endêmica. Desde então, a doença de Lyme tem surgido em muitos outros sítios localizados. A ocorrência costuma de dar durante o Verão e no início do Outono e efecta, com maior frequência, crianças e jovens adultos que vivem em áreas florestais.