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Pessoas que residem em frente a cemitérios em Manaus não tem medo de assombrações

Para quem mora em frente de um, não há problema em dividir o espaço com os mortos 22/04/2012 às 11:45
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Morando há 40 anos em frente ao Cemitério Santa Helena, em São Raimundo, a aposentada Eunice Pereira já se acostumou a acordar e ver, da sua janela, os mausoléus
Ana Paula Sena ---

Muitas pessoas tem pavor só de ouvir falar em cemitério, outras temem em passar por perto, mas para quem mora em frente de um, não há problema em dividir o espaço com os mortos. A aposentada Eunice Pereira da Silva, 65 mora há 40 anos em frente ao Cemitério Santa Helena, no bairro São Raimundo, Zona Oeste de Manaus, e afirma que nunca viu nenhuma alma penada assombrando os moradores. “Não tenho medo, acho normal, inclusive seis pessoas da minha família estão enterradas no cemitério. Consigo, inclusive, ver a sepultura da minha mãe da varanda de casa”, relatou.

Eunice Pereira faz questão de afirmar que a única preocupação dela é com os vivos que aterrorizam a área. “Nunca vi ‘alma penada’; o único problema são os marginais que entram no cemitério para usar drogas”, afirmou. Outra moradora, Raimunda Oliveira Reis, faz questão de afirmar que é um privilégio residir perto do Santa Helena. Ela conta que, pelo menos duas vezes por semana visita os túmulos dos seis parentes enterrados no local. “Se eu deixo de vir já fico incomodada. Eu adoro passear aqui. É o quintal da minha casa!”, descreveu ela.

Loira do morro
Já no Cemitério São Francisco, no bairro Morro da Liberdade, Zona Sul, quem mora em frente àquele lugar tem muitas histórias para contar. É o caso de Dalva da Silva Ribeiro, 34, que mora há 20 anos no local, faz questão de contar. Segundo ela, há relatos de que uma mulher loira apavora os taxistas. “Já veio um taxista aqui na minha casa perguntando por uma loira que ele deixou em frente ao cemitério e que teria entrado dentro da minha casa. Eu expliquei que na minha família só tem mulheres morenas e que não sabia de nenhuma loira. Eu até brinquei com ele dizendo que era uma assombração. Senti que ele ficou com muito medo”, contou.

A industriária Alice Cordeiro, 29 mora há dois anos em frente ao cemitério e relata que no início ficou apreensiva, mas hoje acha sua casa um ótimo lugar para morar. “São os melhores vizinhos que podemos ter: não reclamam de nada e não fazem mal a ninguém. O que podemos querer mais?”, sorriu. Ela também relata que no Dia das Bruxas, comemorado em outubro, e em todas as Sextas-Feiras 13, muitas pessoas aproveitam para se fantasiar e assustar quem passa pela rua. “É muito divertido. Sempre nessas datas há uma movimentação diferente na rua”, contou. Curiosamente, na maioria das casas em frente ao cemitério existem varandas. Segundo os moradores, é para apreciar a paisagem única.