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Petistas do Amazonas querem o mesmo rigor aplicado ao Mensalão em ações envolvendo outros partidos no STF

No Amazonas, membros do Partido dos Trabalhadores dizem esperar que os mensalinhos do PSDB e DEM recebam o mesmo tratamento que o Mensalão no STF 16/11/2012 às 21:28
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Membros do PT avaliam Mensalão
Ana Carolina Barbosa Manaus

Embora divida opiniões dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), o julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) – o qual ainda está em andamento -, deixou membros da legenda com uma expectativa em comum: que matérias sobre corrupção relacionadas a outras siglas e que tramitam na Corte sejam analisadas e julgadas com o mesmo rigor que a ação 470 – a exemplo dos mensalinhos tucano (PSDB) e do DEM -, para que seja mantido o equilíbrio no Judiciário.

No geral, eles entendem que o que já é tratado como o maior escândalo de corrupção da política brasileira não existiu e que houve influência da ‘grande mídia e da oposição’ na forma como a Corte tratou o tema. Contudo, há quem entenda que o partido precisa se redimir perante a população e que “erros aconteceram”.

É o caso do presidente da Comissão Mista Suprapartidária de Combate à Corrupção no Congresso, deputado federal pelo Amazonas Francisco Praciano (PT). Para ele, os erros “aconteceram e, portanto, acho que o tribunal (STF) fez o seu papel”. O comentário vai contra a nota oficial lançada pela executiva nacional do partido na última semana, na qual o PT nega a existência do esquema. Membros da alta cúpula do partido também afirmam que o julgamento da ação ocorreu, propositalmente, semanas antes do pleito, de forma a prejudicar a legenda.

Já para Praciano, o PT, “invés de ficar só reagindo, exigindo que outros mensalões sejam julgados e culpando o Supremo, tem que refazer sua parte e reconstruir o aspecto ético. A imagem do partido não está boa e, portanto, os dirigentes devem reavaliar, fazer uma autocrítica, reconhecer seus pecados e onde aconteceu. Não vamos convencer a sociedade que não houve pecado. A sociedade já fez julgamento há muito tempo e o Supremo apenas ratificou”, opinou o petista.

Sobre os membros condenados por corrupção ativa pelo STF, a exemplo do ex-ministro José Dirceu e José Genoíno, ex-presidente da legenda, Praciano ressalta o seguinte: “Genoíno tem uma boa história, mas tem seus pecados. Zé Dirceu tem um bom currículo político, mas tem seus pecados e, invés de defender diretor de banco, (o STF) fez seu papel, julgando e mantendo o equilíbrio institucional desse País”.

Ataque político

Opiniões a parte, o vereador reeleito do PT Waldemir José acredita que o julgamento foi utilizado pela oposição para atacar a legenda durante o período eleitoral e que, sem ele, o desempenho do PT poderia ter sido melhor. “O PT ficou bastante desgastado porque houve uma generalização (da questão). Os adversários ficaram procurando divulgar ao máximo a situação. Agora, começo a ver pela internet uma reação no sentido de que se essa regra valeu para a questão do PT e dirigentes e deve servir também para o julgamento do PSDB e demais partidos”.

De acordo com ele, a ação na qual membros do PSDB figuram como réus e que reúne indícios de corrupção está “engavetada” desde 2005 no STF. “O que o supremo tem que fazer é tratar todos os outros de forma igual”, disse. “Houve delito, só que não foi nesse nível de Mensalão”. Contudo, o vereador afirma que existe uma disputa política.

“O que está havendo é que a oposição identificou nesse momento que conseguiu derrubar pessoas importantes ligadas ao governo e tenta dar o próximo passo, porque a oposição quer virar o jogo e voltar ao poder com base nesse tipo de trabalho. Se conseguir derrubar o Lula, a próxima é a Dilma. Existe uma disputa clara de poder”, ressaltou.

Impacto

Marilene Corrêa, uma das fundadoras do partido, e que recentemente concorreu a uma vaga no Senado pela legenda, enxerga de outra forma o julgamento, afirmando que, no âmbito regional, a medida não teve impacto, já que o PT elegeu, em Manaus, uma bancada significativa com três vereadores.

Para ela, o julgamento no STF foi “de certa forma, arbitrário, o que não significa que não deveria ter ocorrido”. Marilene destaca que a tendência é que a sigla continue crescendo como partido de massa, mas o Mensalão terá sim um impacto negativo em longo prazo, com a saída de membros, por exemplo, algo que, segundo ela, já vem acontecendo.

“É uma ferida e essa ferida fica dentro do partido, mas acho que não devemos subestimar esse impacto, pois ele não é para agora, é de médio e longo prazo. Ele levará a militância do PT a contestar outros julgamentos, como o do PSDB, que ainda não foi feito”.

Marilene frisou que a cúpula do partido vem avaliando internamente a questão e a tendência é que a população use o julgamento como elemento de comparação com as próximas ações julgadas pela Corte. Mas, “eleitoralmente, isso ainda não teve impacto”, garante.

Julgamento atípico

Odenildo Sena, secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e filiado ao PT, classificou o julgamento como “atípico e estranho”. De acordo com ele, houve uma influência da “grande mídia, que ainda tem força e pautou muito o STF”. Odenldo acredita que, o que a “mídia insiste em chamar de Mensalão poderia ter sido julgado em um outro momento. Agora, se o STF tomar a iniciativa de julgar outros processos encalhados, como o mensalão tucano, acho que haverá um equilíbrio, ou quem vai perder são os partidos de oposição, como PSDB e DEM, que estão ligados a ações correndo no supremo”.

O tratamento das outras matérias de forma igual poderá tirar o que foi chamado por ele de falsa evidência de que o PT é um partido corrupto. Sobre a nota elaborada pelo PT, na qual a direção do partido alega que o Mensalão não existiu, ele opina que a afirmação não desqualifica o judiciário, uma vez que, segundo o secretário, o debate na Corte tem sido muito mais ideológico do que jurídico. Ele cita como exemplo os embates entre o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, ministro Ricardo Lewandowski, os quais demonstraram pontos de vista distintos em várias situações.

“O que acontece é que o Lula jamais foi perdoado pela classe mais conservadora e reacionária desse País por ter sido presidente. Para essa gente até hoje não admitir o quanto melhorou esse País [...]. São 30 milhões (de pessoas) que saíram da pobreza. Essa política contra o Lula é a política do ódio!”, opinou.

Pressão

O ex-senador e presidente do Diretório Estadual do PT no Amazonas, João Pedro, disse que a nota disparada pela executiva nacional PT dias atrás reflete a opinião das regionais da legenda e alegou que o STF se deixou levar pela pressão de um setor econômico e midiático “contrário ao nosso projeto”.

Ele sustenta sua afirmação frisando que o número de parlamentares citados na ação, contra os quais pesam evidências de recebimento de dinheiro de forma ilícita, é pequeno frente aos 535 parlamentares que compõem o Congresso Nacional.

“São dez parlamentares, dos quais quatro são do PT. Um é o líder (do partido na Câmara Federal), que é o deputado Luizinho. (O PT) não iria comprar seu próprio líder. Mensalão? Cadê os deputados que recebiam mensalmente dinheiro?”, indagou.

De acordo com ele, os setores contrários à sigla criaram a situação para criminalizar o PT. “Sofremos um bombardeio da mídia. Essa eleição municipal com caráter nacional (ocorreu) sob um bombardeio de denúncias. O povo deu resposta e tivemos resultados importantes”, assegurou. “É claro que em um partido como o nosso, estamos discutindo sempre nossos erros, vitórias e derrotas. O PT é um partido de militante e é evidente que isso não fica apenas na discussão interna, sem mudanças”, completou.

Ele ressaltou que a direção do partido vem refletindo sobre a manifestação do STF e, a exemplo do que vem afirmando o ex-presidente Lula, corroborou que o esquema não existiu. Sobre o envolvimento de Lula no Mensalão, todos os entrevistados foram unânimes em opinar que não ocorrer e que não há provas sobre tal suposição.

Frases:


Francisco Praciano : “O povo fez sua parte: condenou. O PT é um partido que tem uma belíssima história, mas errou. A Justiça tem que tratar rotineiramente todos esses escândalos que conhecemos, como o Albatroz que está pendente no Amazonas, a Satiagrarra, Sanguessuga (todas operações desencadeadas pela Polícia Federal). Tudo isso tinha que ser desengavetado para fazermos uma operação mãos limpas”.


Waldemir José: “O repasse (desvio de dinheiro público), está claro que não ocorreu. Existe uma prática eleitoral na maioria dos governos de que quando há um partido no poder, ele paga dívida de campanha de outros partidos. Essa é a questão que na prática ficou e de qualquer jeito há um delito”.


Marilene Corrêa: “Creio que cada vez que houver um procedimento como este que apareceu em todas as mídias e conduziu o processo, essa situação será retomada como elemento de comparação. Não vai ficar por aqui. Isso condiciona uma nova relação de força e dos partidos políticos com o estado brasileiro. Entre partido e regionais, creio que as perdas serão grandes. Isso porque vem por aí a sucessão presidencial”.


Odenildo Sena: “O que acontece é que o Lula jamais foi perdoado pela classe mais conservadora e reacionária desse País por ter sido presidente. Para essa gente até hoje não admitir o quanto melhorou esse País [...]. São 30 milhões (de pessoas) que saíram da pobreza. Essa política contra o Lula é a política do ódio!”, opinou.


João Pedro: “São dez parlamentares, dos quais quatro são do PT. Um é o líder (do partido na Câmara Federal), que é o deputado Luizinho. (O PT) não iria comprar seu próprio líder. Mensalão? Cadê os deputados que recebiam mensalmente dinheiro?”