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PMs que atiraram em adolescente vão a júri popular nesta terça (07)

As imagens obtidas com exclusividade pela Rede Calderaro de Comunicação mostram policiais militares da Força Tática, humilhando, agredindo e atirando contra um adolescente de 14 anos. 07/08/2012 às 23:15
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PM atira friamente contra adolescente de 14 anos
acritica.com Manaus

Os soldados da Polícia Militar do Amazonas, André Luiz Castilhos Campos e Rosivaldo de Souza Pereira, vão ser levados a julgamento por júri popular, nesta terça-feira (7) para responder à acusação de tentativa de homicídio, atentado qualificado e roubo qualificado com uso de arma de fogo contra um adolescente de 14 anos de idade, crime ocorrido em agosto de 2010, no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste de Manaus. O juiz que presidirá o julgamento é Mauro Antony.

As imagens obtidas com exclusividade pela Rede Calderaro de Comunicação mostram policiais militares da Força Tática, humilhando, agredindo e atirando contra um adolescente de 14 anos. O crime foi na madrugada do dia 17 de agosto de 2010, no final da rua 50, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte.

Relembrando o caso

Na madrugada de 17 de agosto de 2010, policiais militares da Força Tática (FT) se dirigem ao final da rua 50, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte de Manaus. Eles param as pessoas que passam pelo local, vasculham bueiros, invadem quintais, procuram algo. Toda a  ação é filmada por uma câmera de vigilância.

De repente, um dos cinco PMs analisa minuciosamente uma arma, que é passada a outro policial. Surge um garoto de camisa vermelha e bermuda clara. Começa a sessão de violência e tortura psicológica.

O garoto tem um cordão e uma pulseira arrancada na marra, leva um soco, é cercado pelos policiais que sacam suas pistolas. Ele fica acuado entre o muro e os PMs. Uma arma é apontada para seu rosto. O menino empurra o cano do revólver e se encolhe com medo. Ele chora muito enquanto  um dos soldados volta a mantê-lo na mira. O PM se aproxima, olha para os lados, aponta e atira.

O tiro de pistola PT.40 é à queima-roupa e atinge o menino na barriga. Ele tenta fugir da mira do PM, que o segue e atira novamente.

Mesmo baleado duas vezes o adolescente ainda se mantém de pé, atordoado. Quando o policial se preparava para dar um tiro de misericórdia, surge um outro PM que atira entre o soldado e o garoto ferido. Os dois policiais discutem, os cachorros da vizinhança latem, os moradores escondidos se esgueiram para assistir a cena.

Um terceiro tiro é dado e o adolescente é empurrado mais de cem metros até as viaturas 1667 e 1668 da FT estacionadas na rua 1. No caminho o garoto perde as forças e senta no meio da rua 50.

Ele é encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, a poucos metros dali, onde é internado.

No dia seguinte, A CRÍTICA vai ao local e apura a versão dos policiais. O sargento Hércules Duarte, subcomandante da Força Tática do CPA Norte, alega que o garoto era “soldado do tráfico” e que seus subordinados atiraram para se defender, pois haviam sido recebidos a tiros.

O adolescente de 14 anos sobreviveu aos três tiros e voltou para casa após dez dias de internação. “Meu filho teve parte do pulmão perfurado e passou por cirurgia. Foi um milagre não ter morrido”, lembrou a mãe dele. Com medo da polícia, a família se mudou.