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Polícia do AM admite: é difícil punir culpados por ‘acerto de contas’

Problema estaria na falta de provas, já que testemunhas, muitas vezes parentes dos envolvidos, acabariam abafando casos 28/01/2012 às 17:11
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Polícia não tem informações sobre quantas mortes ocorrem por ‘acertos de contas’ porque classificação é pelo tipo de crime
Milton de Oliveira Manaus

Crimes de homicídios, classificados como “acerto de contas” entre supostos bandidos ou envolvendo pessoas de todas as classes sociais, ainda representam dificuldades para as polícias Militar e Civil do Amazonas, principalmente na busca por soluções para os casos, em que os possíveis assassinos nunca foram sequer citados nas investigações e acabam terminando impunes.

Conforme o delegado geral da Polícia Civil do Amazonas, Mário César Nunes, nem a Polícia Metropolitana de Londres (Metropolitan Police Service - MPS) consegue solucionar todos os crimes.

“Não se pode prender uma pessoa por achar alguma coisa. As provas testemunhais ajudam, mas muitas testemunhas, às vezes parentes, não querem falar dos casos que envolvem familiares”, ressaltou Nunes. O delegado disse, ainda, que as versões desses testemunhos podem ser influenciadas pelo medo.

Dos vários casos que teriam sido classificados ou considerados especificamente como “acerto de contas”, a Polícia Civil informou que ainda não há registros, porque “faz suas estatísticas baseadas na ocorrência de crimes, assim definidos pelo Código Penal e legislações específicas. Desta forma, não se classifica os crimes de homicídios pela denominação popular chamada ‘acerto de contas’, apenas por homicídios”, informou o órgão por meio de nota.

Para a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP), denominar um caso de homicídio como sendo “acerto de contas” não é fácil. “Afirmar estatisticamente que ‘acerto de contas’ é a motivação principal dos homicídios no Amazonas é difícil porque quase sempre essa informação surge somente ao longo das investigações da delegacia especializada”, informou o órgão, também por meio de nota.

Polícia técnica
Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Amazonas (OAB/AM), Epitácio Almeida, a polícia está tecnicamente mal aparelhada. “O Código Penal quando trata de morte, não faz distinção. Uma vida é uma vida, independente de quem se trata, se é queima de arquivo, usuário de drogas o que está em jogo é uma vida humana”, afirmou. O presidente disse, também, que os investigadores “devem estar melhor preparados”.