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Polícia e MPE fazem operação contra milícias que dominam área da invasão Cidade das Luzes

Comunidade era alvo constante de organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, roubos e homicídios. Três pessoas foram presas e 5 mil casa foram revistadas 08/10/2015 às 11:37
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Reintegração de posse na Cidade das Luzes na manhã desta quarta-feira (7)
Joana Queiroz Manaus

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Órgãos de polícia e o Ministério Público do Estado (MPE) deflagraram na manhã desta quarta-feira (7) a operação Blackout na comunidade Cidade da Luzes, em Manaus, para cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão no local. Doze pessoas foram presas.

A operação começou por volta das 6h, na comunidade que fica situada entre o ramal da Anaconda e a margem direita do rio Tarumã-Açu, no bairro Tarumã, Zona Oeste da capital. Segundo a polícia, investigações indicavam que a Cidade das Luzes era alvo de milícias formadas por membros de organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, roubos e homicídios.

Diversos órgãos participaram da operação, como o Grupo de Ações de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPE, Detran-AM, Samu e Eletrobrás Amazonas Energia, além de aproximadamente 500 policiais civis e militares.

Durante a operação, dois helicópteros da polícia sobrevoaram a área e todas as vias de entrada e saída foram fechadas. O fornecimento de energia elétrica também foi cortado e cerca de 5 mil casas foram revistadas pela polícia, que também deu cumprimento a 12 mandados de prisão preventiva. 

Segundo os órgãos policiais, a ação também teve o objetivo de encontrar um suposto cemitério clandestino do “Tribunal de Julgamento” da facção criminosa Família do Norte (FDN). Até as 7h desta quarta, três pessoas já haviam sido presas.

Índio baleado

Um índio identificado como Anderson Rodrigues foi baleado com um tiro na cabeça durante outro cumprimento de mandado judicial em outra invasão em Manaus, que fica localizada perto da pista de treinamento do Detran, na av. Grande Circular 2, Zona Norte de Manaus.

A ação, segundo a reportagem, era cumprida por policiais civis e houve confronto entre eles e os ocupantes do terreno. O indígena baleado foi socorrido e levado ao Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, mas morreu à tarde. 

Autoridades

“Pela primeira vez em Manaus ficou comprovada que havia uma milícia controlando a vida dos moradores do local, impondo a força e autoridade”, revelou o secretário de Estado de  Segurança Pública, Sérgio Fontes.

A invasão era comandada por organizações criminosas que pretendiam se estabelecer e cometer crimes. As milícias cobravam taxa da luz elétrica de ligações clandestinas, faziam o transporte de pessoas, exploravam o comércio de material de construção e vendiam animais silvestres.

Sérgio Fontes e o comandante da Polícia Militar Marcus Frota sobrevoaram a invasão três coisas chamaram a atenção do secretário. A primeira foi o dano ao meio ambiente, com derrubada de árvores e contaminação dos igarapés em uma área de preservação. A outra foi a existência de propriedades de luxo como prédio de dois andares, empresas comerciais com pá mecânica e caminhões.

Para alguns desses, o Ministério Público pediu a perda de propriedade. Por fim, conta Fontes, há ainda uma grande área dentro da invasão sem ocupação.

Sub-procurador do MPE, Pedro Bezerra esclareceu que a ação teve como objetivo combate  organizações  que cometem crimes de homicídios, tráfico de entorpecentes e arma, crimes ambientais, estelionato e roubo. “A ação demandou uma logística grande em função da complexidade do objetivo a ser alcançado”, explicou Bezerra.

De acordo com ele, foram cumpridos  13 mandados de prisão preventiva,  cinco de temporárias e 22 de busca e apreensão. As investigações descobriram que a invasão ocupa uma área de 61 mil metros quadrados, o que corresponde a aproximadamente seis campos de futebol.