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Polícia ‘invade’ escolas de Manaus

Presença de policiais militares dentro das unidades da rede pública reduz evasão, mas constrange estudantes, pais e professores 23/03/2013 às 12:42
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A presença dos policiais militares do ‘Ronda no Bairro’ é uma resposta às solicitações de algumas escolas por mais segurança
Náferson Cruz Manaus

A escola, um espaço para socialização dos saberes e social, está se tornando alvo de constantes investidas policiais. Há denuncias de que, em diversos bairros, policiais do programa de segurança pública Ronda no Bairro têm entrado nas escolas, revistado alunos e vigiado banheiros. Denúncias dão conta que as ações causam constrangimento a alunos e professores, que estão insatisfeitos com o comportamento dos policiais.

De outro lado, o coordenador do programa Ronda no Bairro, coronel Amadeu Soares, alega que a polícia vai às escolas para onde são chamadas pelos gestores e, nessas, as “investidas” já resultaram na redução do índice de evasão escolas. “Somente no ano passado, ajudamos a reduzir em 40% o índice de evasão escolar, com nossas ações de prevenção e segurança nas escolas”, garantiu.

Mesmo assim, uma funcionária - que não quis ser identificada - da escola estadual Castelo Branco, no bairro São Jorge, na Zona Oeste, por onde os militares passaram, afirmou que há exagero na abordagem aos alunos. “Eles chegaram como se estivessem lidando com traficantes e marginais. Faltaram com respeito com os alunos e com os funcionários”, reclamou.

Um professor da escola, que também preferiu não se identificar, ressaltou que as escolas precisam de liberdade, e não de repressão. “Temos que ter políticas públicas para essa área, precisamos de uma escola aberta para arte e cultura, sem constrangimentos e receios por parte de alunos e professores”, completou.

Outra situação semelhante foi constatada no início do ano letivo numa escola no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul. Na ocasião, os alunos foram liberados horas antes do encerramento normal das aulas. No entanto, quatro deles ficaram conversando em frente à escola, quando foram abordados pela polícia. Os estudantes foram revistados sob os olhares de várias pessoas que ali passavam. A cena, segundo relatos dos alunos aos pais, chamava atenção de todos e eles se sentiram constrangidos. O caso foi denunciado à Corregedoria da Polícia Militar, que apura o fato.

Favoráveis

Mas, por outro lado, pais de alunos e a direção de parte das escolas públicas são a favor da presença da polícia nas imediações das escolas. Pai de três alunos de escolas públicas, Jaime Lourenço Brasil, 40, disse que não deixa os filhos irem sozinhos para a escola. “Todos os dias vou à escola para apanhá-los, já a mãe é a responsável por conduzí-los à escola, isso em decorrência de tamanha violência que acontece, na maioria, na entrada das escolas, e outras vezes, no interior delas”, destacou.   

A Coordenação das Unidades Escolares do Estado do Distrito 3, que atua nas Zonas Oeste e Centro-Oeste, que ainda inclui a jurisdição das escolas do Parque Dez, informou que a atuação da polícia nas imediações das escolas é uma ação preventiva que tem o objetivo de prevenir o uso de drogas e até o porte de armas dentro das escolas públicas.