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Manaus
Polícia, Pedofilia, Exploração Sexual Infanto-Juvenil, Polícia Civil, DEPCA, TJAM

Polícia investiga empresários suspeitos de integrar rede de exploração sexual em Manaus

Operação Estocolmo cumpriu 46 mandados de busca e apreensão, alguns em condomínios de luxo na capital amazonense.  Há dois dias, o empresário Waldery Areosa Ferreira conseguiu autorização da Justiça para ter acesso a inquérito policial da Delegacia Especializada de Assistência e Proteção ao Menor, no qual é, em tese, investigado 23/11/2012 às 16:43
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Material apreendido foi levado para a Seccional Sul
acritica.com Manaus

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta sexta-feira (23), em Manaus, a Operação Estocolmo para prender integrantes de uma rede de exploração sexual infanto-juvenil.

De acordo com o delegado geral de Polícia Civil, Josué Rocha, as investigações correm em segredo de Justiça.

Um total de 198 policiais civis participam da operação, que também conta com o apoio de uma equipe 3 agentes da Polícia Federal. Ao longo da manhã vários mandados judiciais de prisão e busca e apreensão foram cumpridos na capital.

Um dos mandados de busca e apreensão ocorreu no apartamento do cônsul da Holanda, Vitório Nyenhuis, no condomínio Riviera da Ponta Negra, no bairro Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, onde algumas mídias foram apreendidas e serão encaminhadas para a perícia técnica.

Outro mandado de busca e apreensão ocorreu no condomínio Jardim Europa, também na Ponta Negra.


Ações
Um total de 30 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos foram identificadas durante as investigações que resultaram na Operação Estocolmo. As mesmas, conforme as explicações do delegado geral, Josué Rocha, eram aliciadas e agenciadas. Entre os clientes, estariam empresários de Manaus, cujos nomes não foram revelados.

Por correr em segredo de Justiça, a maior parte das informações sobre a operação não foram reveladas pelo delegado. Ele informou  que os trabalhos iniciaram em maio deste ano, a partir das denúncias da parente de uma das adolescentes de 13 anos, que percebeu a menina chegando em casa com objetos caros, entre outros artigos de luxo.

As denúncias foram feitas na sede da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), no bairro Planalto, Zona Oeste de Manaus.  

Foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão – nas casas das vítimas, dos agenciadores e dos empresários –, e outros oito de prisão. Celulares, mídias digitais, fitas VHS, foram alguns dos  materiais apreendidos, e que serão enviados à perícia técnica.

Cumplicidade
Batizada de Operação Estocolmo, o nome é uma alusão à síndrome de Estocolmo, um estado psicológico em que a vítima de um sequestro ou detida contra sua vontade cria laços afetivos com o raptor.

A síndrome surge a partir de tentativas por parte da vítima de se identificar com o captor, o que faz com que o prisioneiro desenvolva um laço afetivo com seu algoz.

Esta “solidariedade” pode muitas vezes tornar-se numa verdadeira relação de cumplicidade, chegando muitas vezes as vítimas a defender os seus sequestradores e mesmo a ajudá-los a fugir ao cumprimento da lei.

Prevenção
Às vésperas da Operação Estocolmo ser deflagrada, o empresário Waldery Areosa Ferreira conseguiu autorização da Justiça do Amazonas para ter acesso a inquérito policial aberto pela Delegacia Especializada em Proteção e à Criança e ao Adolescente (DEPCA) no qual é, em tese, investigado.

A autorização foi dada pelo juiz plantonista Julião Lemos Sobral Júnior na última terça-feira (20). O magistrado pede esclarecimentos da titular da referida especializada, Linda Gláucia de Moraes, num prazo de 48 horas. O Ministério Público do Estado (MPE/AM) se posicionou contra o pedido de Areosa.

Na ação movida contra Linda Gláucia, o empresário Waldery Areosa afirma ter recebido informações, “através de rumores”, da abertura de uma investigação contra ele na DEPCA. No pedido ao juiz, ele afirma ter o direito de ser informado sobre a investigação.

“Como é de notória sabença, ainda que o inquérito esteja sob segredo de justiça, as autoridades policiais devem garantir o amplo acesso do investigado aos autos para que este exerça seu direito de defesa, conforme a inteligência da Súmula Vinculante 14, do Supremo Tribunal Federal”, argumenta a advogada do empresário, Jéssica Gomes Ferreira, em pedido enviado à Justiça no último dia 20 deste mês.

A defesa de Areosa argumenta também ter tido acesso à informação de que a delegada Linda Gláucia “está requerendo de forma açodada e arbitrária a prisão preventiva do paciente, em flagrante violação às garantias constitucionais da presunção da inocência e não culpabilidade, o que provocará constrangimento ilegal e graves prejuízo sem seu patrimônio moral”.