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Polícia já tem suspeitos de morte de líder comunitário em Manaus

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, e outro homem identificado como “Rodriguinho”, são procurados 10/02/2012 às 08:48
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Enterro de Rômulo José Mesquita da Silva,, no cemitério São Francisco, Zona Sul, causou comoção na comunidade
Joana Queiroz Manaus

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, 24, e outro homem identificado como “Rodriguinho”, são os principais suspeitos de serem os autores dos tiros que mataram o presidente do Conselho de Segurança Pública da Zona Leste, Rômulo José Mesquita da Silva, 48, na noite de quarta-feira, 8, no bairro Monte Sião, Zona Leste. Ele foi morto com sete tiros, a maioria na cabeça. Até esta quinta-feira (9), a informação da polícia era de que ainda não havia nenhum dos acusados presos.

Durante o dia de ontem, policiais civis e militares procuraram pelos assassinos. De acordo com o comandante do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), coronel George Chaves, a busca começou logo depois que aconteceu o crime. “Nós só vamos cessar as buscas depois que conseguirmos prender os suspeitos”, disse.

O delegado geral de Polícia Civil, Mário César Nunes, disse que três delegados: a titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Cristina Portugal; o adjunto, Antônio Lara Marialva Rondon Júnior; e o diretos da Seccional Leste, Clóvis Leite, estão no comando da investigação. “Já temos dois suspeitos e ainda não posso dizer se estes já estão presos”, disse Mário César. Ele não revelou o motivo que levou a polícia a suspeitar de “Gordinho” e “Rodriguinho”.

A polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por vingança e a mando de traficantes de droga da área, já que Rômulo os havia denunciado à polícia. Segundo o coronel George, Rômulo era um líder atuante, que colaborava muito com a segurança pública, fornecendo informações sobre a ação de traficantes e assaltantes na Zona Leste.

Ele morava na rua B do bairro Monte Sião, considerado pela polícia como área vermelha. O velório de Rômulo, que ocorreu na casa onde morava, aconteceu sob um esquema proteção policial. A família dele temia a ação de traficantes e não quis falar sobre a autoria do crime.

O velório foi marcado por comoção de familiares e comunitários que tinham Rômulo como uma pessoa do bem. Ele era casado e deixou quatro filhos e dois netos. Para a polícia, Rômulo foi um grande colaborador  da segurança e parceiro dos policiais porque não se intimidava. Ele foi sepultado no final da tarde de ontem, no cemitério São Francisco, bairro Morro da Liberdade, Zona Sul.

Suspeito confessou crimes

O pistoleiro Janderson Vieira Honorato, o “Gordinho”, concedeu entrevista exclusiva para a reportagem de A CRÍTICA nas dependências da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), no dia 4 de agosto do ano passado. Ele confessou ter matado três pessoas e ter sobrevivido a duas tentativas de homicídio. Em uma delas, ele chegou a perder uma das costelas e ficou internado 51 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Gordinho” também disse já ter perdido as contas de quantas residências e estabelecimentos comerciais arrombou para furtar e que, atualmente, traficava droga. Ele confessou que pretendia matar o sobrinho da ex-mulher, conhecido como “Mister”, que lhe devia R$ 600. “Ele estava me enrolando e o traficante que me deu a droga estava me cobrando. Ou eu o matava ou o traficante me matava”, justificou.

À reportagem, “Gordinho” revelou que  ingressou no crime aos 13 anos de idade como membro de “galera”. Ele afirmou, ainda, demonstrando um certo orgulho, que “por pouco” não chegou à liderança do grupo. Sua primeira vítima de homicídio, segundo ele, foi um adolescente identificado como “Cocadinha”, que foi morto a pauladas e degolado, disse sem demonstrar arrependimento.