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Policiais e investigadores são vítimas de ameaças de bandidos pelas redes sociais, em Manaus

Investigadores da Polícia Civil e policiais militares também estão no foco. Uma investigadora da PC, que pediu para não ter o nome revelado, contou que já foi ameaçada pela irmã de um criminoso 18/01/2016 às 10:04
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Pelas redes sociais, bandidos fazem diversas ameaças a policiais militares e delegados da capital
Kamyla Gomes Manaus (AM)

Há quem pense que ser policial não é arriscado pelo simples fato de terem grande sabedoria quando o assunto é segurança. Um policial, seja civil ou militar, e até um investigador, traz consigo uma série de riscos. Apesar de tudo, eles estão para o que der e vier e assumiram essa profissão com muito amor e responsabilidade.

Na edição de hoje, vamos conhecer os riscos que policiais passam ou já passaram durante o seu trabalho. Apesar de muitos acharem que é o “risco da profissão”, muitos nem imaginam os cuidados que eles têm consigo mesmo e com a família.

Há mais de 10 anos na Polícia Civil, o delegado George Gomes, titular do 2° Distrito Integrado de Polícia (DIP), contou com exclusividade para o MANAUS HOJE das constantes ameaças sofridas recentemente. Entre elas, até de uma reunião promovida pelos traficantes da Zona Sul para discutir sobre sua morte.

“Recentemente recebemos ameaças de um grupo criminoso que atua aqui pela área e efetuamos várias prisões daquele grupo, além disso,  pedimos a prisão preventiva do chefe. Teve até uma reunião realizada e eles disseram que iriam me dar um tiro quando eu estivesse na rua, em operação”, destacou. Gomes relatou que a denúncia foi oficializada e uma das pessoas que participou da reunião foi presa. Ela contou que o delegado seria morto.

Outra ameaça que George recebeu foi informando que já estava na hora de dar um “basta” nas operações realizadas pela área da Zona Sul. George, destemido, pediu para deixar um recado: “Quanto à última ameaça, dizem que quem quer me matar é um tal de ‘Wal', e até o presente momento não o conheço”, finalizou George.

No comando da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que é uma das delegacias mais atuantes de Manaus, o delegado titular Ivo Martins também falou dos cuidados do dia a dia. “Policial tem algumas cautelas e somos preparados para isso. Muitas das vezes, a ameaça que o bandido faz à autoridade é o que lhe resta pra tentar fazer com que deixem de investigá-lo, mas não podemos deixar de trabalhar pensando em ameaças”, informou.

Ainda de acordo com Ivo, ele já conseguiu prender pessoas que já chegaram a ameaçá-lo. “Consegui uma conversa de um criminoso com a mãe, em que ele falava que não iria se curvar, que qualquer coisa acabava comigo” disse.

Nem mulher escapa

Até a delegada Rita de Cássia Tenório, titular da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), passou por maus bocados. Ela lembra de uma ameaça recente, publicada no Facebook, dizendo que “o delegado da Deaai tem que morrer”. “Essa ameaça partiu de um homem que já foi até preso. Fiquei bastante chateada com isso, e essa mensagem já estava rolando em todos os grupos de polícia. Apesar de ter chamado de delegado, aqui só tem um delegado platonista e eu tenho certeza absoluta que não foi com ele”, contou.

Há 13 anos na PC, Rita contou que os delegados se arriscam constantemente. “É uma profissão arriscada onde saímos de casa deixando nossa família sem saber se irá retornar”, finalizou, dizendo que tem que tomar o máximo de cautela possível.

Com direito a dedo

Investigadores da Polícia Civil e policiais militares também estão no foco. Uma investigadora da PC, que pediu para não ter o nome revelado, contou que já foi ameaçada pela irmã de um criminoso. “Ela apontou o dedo na minha cara dizendo: ‘Eu sei onde tu andas e eu vou te pegar’” contou. Por conta dessas situações, policiais evitam programas à noite, nunca têm horários certos e mudam as rotas para casa.