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Manaus
CORPORATIVISMO

Policial civil usa redes sociais para defender delegado que matou advogado no Porão

Escrivã postou "Tamujunto Guga" e entrou em discussão para apoiar delegado Gustavo Sotero; corregedoria promete avaliar possíveis punições 27/11/2017 às 06:43 - Atualizado em 27/11/2017 às 12:28
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Danilo Alves Manaus

A conduta do delegado da Polícia Civil, Gustavo Sotero, que assassinou a tiros o advogado Wilson Justo Filho, na madrugada deste sábado (25), gerou polêmica nas redes sociais. Enquanto grande parte das pessoas recriminou a atitude do policial por ter atirado depois que vítima o atingiu com um soco no rosto, dentro do Porão do Alemão, outros, inclusive policiais civis, postaram comentários de apoio ao delegado. 

Desde a madrugada de sábado, fotos e vídeos sobre o caso começaram a ser divulgados nas redes sociais. Em uma das publicações, no Instagram, houve até uma discussão entre uma escrivã do 7º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e outros usuários. Além dos comentários de apoio a Sotero, a policial civil ainda postou diversos palavrões e insinuou: “Por favor, não me dêem um soco na balada porque não sei como vou reagir”.  Ela também comentou: “Sotero, estamos juntos... Amigo é amigo, se fosse eu não sei o que faria”, além de um "Tamujunto Guga"

Muitos também explicaram, em comentários, sobre a legalidade do delegado estar armado, já que a legislação permite que policiais circulem com armas em casas noturnas, mesmo fora de serviço.

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Para o procurador-geral do Ministério Público do Estado (MP-AM), Fábio Monteiro, é assustador pensar que servidores pagos pelo Estado possam acreditar que a conduta do delegado foi correta. “Esse sentimento corporativista assusta. Não se pode pensar que profissionais que são pagos e preparados pelo Estado defendam que é correto você ir para um lugar de diversão armado. Ele alegou autodefesa, mas ninguém é melhor que ninguém”, explicou. “Acho que é natural que haja esse sentimento entre a categoria. No entanto, tudo tem limite”, completou. 

O juiz Cássio Borges, presidente da Associação de Magistrados do Amazonas (Amazon), comparou a situação com a própria categoria, que também tem porte de arma.  “Eu, pessoalmente, entendo que não há necessidade de estar armado no recinto em que todos estão desarmados. Não conheço nenhum juiz que frequente casas noturnas armados e inclusive os juízes que atuam na área criminal”, disse ele.

Comentários podem gerar punições, diz corregedoria

A corregedora-geral de Segurança Pública, Iris Trevisan, disse que a conduta do policial deve ser avaliada durante o processo administrativo protocolado ontem. No entanto, Trevisan explicou que o delegado estava respaldado na lei nacional nº 10.826 sobre porte de arma, que autoriza servidores de segurança andarem armados, mesmo fora do serviço. “O policial nunca vai saber o que pode acontecer, não importa o lugar que esteja. Por isso, ele está autorizado em portar o armamento, porém esse caso foi pontual”. A Corregedoria também vai apurar o caso de comentários nas redes sociais envolvendo policiais, que podem ser punidos.

Prisão preventiva

O delegado Gustavo Sotero foi levado à audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Ele foi conduzido para a carceragem da Delegacia Geral da Polícia Civil do Estado do Amazonas, no Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste, onde ficará à disposição da Justiça. 

Segundo o juiz que presidiu a audiência, Frank Augusto Lemos do Nascimento, a decisão  foi determinada para garantia da ordem pública. “O Poder Judiciário não pode permitir que o autuado em liberdade possa ensejar temerários reflexos na ação da Justiça, que necessita estar presente, através de medidas efetivas, visando coibir a repetição de atos violentos e prevenindo consequências mais graves”, ponderou o magistrado. A decisão também atendeu ao pedido do Ministério Público.

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