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Política: Omar e Braga testam liderança para 2014

Principais personagens na disputa pelo Governo Estadual e pela vaga no Senado, governador e senador medem forças 24/03/2013 às 16:11
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Eduardo Braga e Omar Aziz testam liderança para 2014
Rosiene Carvalho Manaus

Os ensaios para definir os candidatos ao Governo e ao Senado  (uma vaga) em 2014 estão em ritmo frenético e a maior prova disso é a medição de forças entre o governador Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (PMDB). Os dois, que travaram luta interna para indicar o candidato do grupo na disputa pela Prefeitura de Manaus, em 2012, e acabaram derrotados, iniciaram nova rinha silenciosa. Estão mais distantes, porém não rompidos.

A um ano da provável saída do cargo para disputar o Senado e de lançar candidato para sucedê-lo no governo, Omar Aziz  opera mudanças no secretariado herdado pelo ex-governador Eduardo Braga que foram adiadas nos primeiros três anos no posto. Omar também mantém relacionamento estreito com o adversário do senador peemedbista, o prefeito Artur Neto (PSDB). E atrai para a sua órbita aliados que, até então, eram fidelíssimos a Braga como o vice-governador José Melo (PMDB).

Numa reforma administrativa pingada. Omar chega ao terceiro ano de mandato com 51% de alteração no secretariado herdado por Eduardo Braga. E, nos bastidores, a expectativa é que outras mudanças estão em vias de serem realizadas.

Não é a realização de mudanças em si que dá o ar de aparente distanciamento de Braga. São as peças que foram mexidas. Omar tirou do governo figuras que ainda davam ao Executivo Estadual a feição do antecessor. Bancou trocas polêmicas como a retirada de Mônica Melo e a nomeação do ex-vereador Leonel Feitoza (PSD) no comando do Detran-AM sem que nada no currículo dele o credenciasse à função.

Também mostrou controle frouxo sobre as credenciais profissionais do estudante Reiner Castelo Branco, de 19 anos, que foi nomeado para a vice-presidência da Jucea, dando espaço ao PTB no Governo. O rapaz é filho do presidente estadual do partido, o deputado federal Sabino Castelo Branco.

Mudanças estratégicas

No início do ano, Omar nomeou como secretária de governo, uma função de extrema confiança e proximidade dele, a deputada federal Rebecca Garcia (PP). Ela era candidata indicada por Omar para representar o grupo na disputa pela Prefeitura de Manaus, mas foi preterida por Braga.

Há duas semanas, surgiu mais um fator de desestabilização na relação, há muito conflituosa, entre Omar e Braga.  Apontado como “bajulador mor” do ex-governador em 2010 pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) em ações judiciais, o vice-governador José Melo resolveu mudar de posição. De fiel escudeiro de Braga, apresentou-se como pré-candidato ao governo e adversário dele em 2014.

Político experiente e sem registro histórico de dar declarações fora de sintonia do grupo que representa, José Melo declarou que quer seguir a cartilha de Omar para chegar ao comando do Estado.

Em meio às trocas no secretariado e as antecipações de pré-candidaturas, Omar evita sistematicamente o assunto na mídia. Mas, nos bastidores, a informação é que o governador acompanha cada passo rumo a 2014 por meios de pesquisas de opinião.

Na última semana, A CRÍTICA perguntou ao governador Omar Aziz se ele planejava novas mudanças no secretariado. O governador fugiu do assunto dizendo que não queria tratar sobre a reforma por estar em viagem (estava em Brasília).

Em seguida, ao ser questionado sobre as declarações do vice-governador de que quer ser candidato em 2014, Omar afirmou que não queria antecipar a discussão porque faltava um ano para a disputa: “Em política um dia é muito, quanto mais um ano”.

Em posição de sentinela

Sem abrir mão do acordo de cavalheiros que tem com o governador Omar Aziz de apoio em 2014, Eduardo Braga se mantém como um sentinela perante os aliados e eleitores, sobretudo no interior do Estado. Além de se articular como o interlocutor da presidente Dilma Rousseff (PT) no Amazonas, Braga se alia a lideranças políticas nacionais para chegar fortalecido no grid de largada do próximo pleito.

Se a eleição fosse hoje, era quase impossível que Dilma e Braga não dividissem o palanque. Para se ter ideia do prestígio dele com a presidente, Braga foi o único da bancada do Amazonas a participar do encontro entre a petista e o governador Omar no dia 13. Os demais integrantes da comitiva tiveram que voltar da porta.

Quase todos os finais de semana, ele se reúne com lideranças do interior, que foram decisivas na vitória dele na eleição de 2006. Também se mantém em exposição constante com o eleitorado por meio de programas nacionais e do semanal “Bate papo com o senador” que chega a quase todos os municípios e é retrasmitido por  27 rádio no Amazonas.

Nos bastidores, a informação é que Braga se reaproximou do antigo mentor político Amazonino Mendes (PDT). Comentários estes que o senador não fez a menor questão de desmentir.

Estratégia tucana

O prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB) é um nome que pode figurar na bandeja de opções que o governador Omar Aziz irá dispor na hora de escolher quem será o candidato que ele vai apoiar ao Governo do Estado em 2014. Embora tenha prometido cumprir os quatro anos de mandato a que foi eleito, Artur Neto pode não renunciar ao cargo, no ano que vem, sem grandes desgastes se conseguir um bom desempenho nos dois primeiros anos e manter  o  carisma junto ao eleitorado. Mantendo uma super-exposição comum em anos eleitorais, Artur não fez segredo das intenções de que o grupo dele teria uma candidatura alternativa a do senador Eduardo Braga em 2014.