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Manaus
ECONOMIA

Polo de ar-condicionado sofre pior crise e efeitos podem prejudicar produção no PIM

Em 2016, Manaus chegou a ter cerca de um milhão e quinhentos mil produtos em estoque, o que representou 50% da produção não vendida; Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) destaca que setor emprega hoje menos da metade do que em 2015 05/04/2017 às 17:59 - Atualizado em 06/04/2017 às 11:34
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As vendas do modelo split caíram em produção cerca de 48%, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Foto: Arquivo AC
Rafael Seixas Manaus (AM)

Os aparelhos de ar-condicionado estão enfrentando a pior crise do setor de eletroeletrônico e provavelmente de toda a indústria brasileira, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Isso afeta diretamente o Polo Industrial de Manaus (PIM), onde o aparelho é produzido e em seguida distribuído para venda. Em 2016, Manaus chegou a ter cerca de um milhão e quinhentos mil produtos em estoque, o que representou 50% da produção não vendida, exigindo um grande esforço de caixa das companhias para financiar este estoque. 

Ainda de acordo com dados fornecidos pela associação referentes à capital amazonense, os fabricantes de ar-condicionado de janela reduziram de cinco para dois e a queda de volume chega a 60%; as vendas do modelo split caíram em produção cerca de 48%, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa); o setor emprega hoje menos da metade do que em 2015; e investimentos estão paralisados e aguardam algum sinal de melhora.

O presidente da Eletros, Lourival Kiçula, informou à reportagem que os aparelhos de ar-condicionado correspondem a mais de 60% do faturamento do PIM e que todas as empresas, de fornecedores  à fabricação do bem final, amargam estoques e prejuízos elevados pelo segundo ano consecutivo. A preocupação é que esses números se repitam em 2017.

“Aqui no Sul, nós passamos pelo verão e deveríamos ter vendido muito mais. Agora vamos entrar em um período desconfortável para a venda de ar-condicionado que é o inverno. A gente quer que o Estado [do Amazonas] mantenha a atratividade do polo e a competitividade das empresas, mas também não sabemos até que ponto essa crise vai chegar”, disse o empresário.


Presidente da Eletros, Lourival Kiçula, acredita que as vendas de ar-condicionado
devem melhorar em abril. Foto: Reprodução/Internet

Reuniões estão sendo realizadas pela Eletros para que não haja mais demissões nas fábricas. Para o presidente da associação, a esperança é que a economia brasileira melhore porque, atualmente, com o baixo poder aquisitivo, o ar-condicionado e outros aparelhos não são vistos como prioritários pelo consumidor.

“Com pouco poder aquisitivo, há eletroeletrônicos que são deixados para serem adquiridos em outro momento. Não estou falando de Manaus, mas aqui no Sul optam pelo ventilador até comprar o ar-condicionado. Normalmente, [na economia] temos um primeiro trimestre menor e depois as coisas melhoram. Em questão de ar-condicionado, esses são meses de bastante calor, e a indústria vende muito para o varejo, mas a economia não estava muito bem e as vendas foram fracas”, destacou Kiçula, complementando que isso não é um problema do PIM, mas da crise econômica que afeta o Brasil.

“A economia não está resolvida. Pode ser que as coisas melhorem a partir de abril. Vendemos mais nos meses de novembro a fevereiro, então vem o inverno, mas, se a economia no País melhorar, tudo começa a melhorar. Estamos esperançosos. Se houver alguma coisa que traga benefícios aos colaboradores do Amazonas, governo e indústria, vamos fazer propostas para que todos possam ganhar. No momento todos estão perdendo”.

Apesar dos resultados não satisfatórios, Kiçula acredita que as fábricas não vão fechar no Estado caso persista a queda nas vendas. “Elas vão diminuir a produção e podem até paralisar por algum tempo, mas o melhor lugar de produzir ar-condicionado é aí (Manaus)”.

O Amazonas é o único polo de fabricação fora da Ásia deste tipo de produto que ainda resiste, estando todos os fabricantes mundiais localizados em Manaus.