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Ponte Rio Negro impulsiona setor imobiliário em Iranduba

Pesquisa sobre Índice de Velocidade de Venda do Sinduscon mostra isso 22/08/2012 às 08:09
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Dos municípios que integram a Região Metropolitana de Manaus, Iranduba é o primeiro a figurar na pesquisa referente ao Índice de Velocidade de Vendas (IVV) da construção civil, realizada pelo Sinduscon
LUANA GOMES Manaus

Depois que a ponte Rio Negro foi inaugurada, os “olhares” da construção civil se voltaram para Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). No segundo semestre deste ano, das 254 unidades ofertadas, em torno de 90,95% foram vendidas, segundo dados do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon/AM), divulgados ontem.

Dos municípios que integram a Região Metropolitana de Manaus, Iranduba é o primeiro a figurar na pesquisa referente ao Índice de Velocidade de Vendas (IVV) da construção civil, realizada pelo Sinduscon.

De acordo com o diretor-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária na entidade, Antônio Newton Veras, quase um ano depois da inauguração da ponte, a população já tem em mente os cálculos sobre o tempo que se leva para chegar a Iranduba, comparada à duração da viagem para Cidade Nova, por exemplo.

Veras destacou que  a facilidade de chegar a Iranduba por meio da ponte e, agora, o projeto de construção da Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas UEA) nesse município são dois fatores que impulsionam o interesse dos consumidores e, consequentemente, a expansão imobiliária do outro lado do rio Negro.

Balanço geral

O IVV do segundo trimestre de 2012 chegou a 40,15%, com 4,36 mil ofertas e um volume de vendas de 1,75 mil unidades. Conforme a pesquisa, este é o segundo melhor desempenho do Estado desde o início da pesquisa, no último trimestre de 2007. O resultado é inferior apenas ao que foi anotado em 2009 (46,92%), em virtude da oferta de 5,10 mil unidades e venda de 2,39 mil.

Antônio Vera comentou que o “termômetro” para a continuidade deste crescimento é o preço médio do metro quadrado. Segundo ele, apesar do IVV no Estado ser superior ao de outras capitais brasileiras, o preço médio do metro quadrado na região ainda está abaixo do estabelecido no mercado nacional, o que aumenta o interesse em adquirir um imóvel na região. “As pessoas que vêm de outras capitais identificam e fazem esta conta, notando que temos um preço de locação bastante significativo, dependendo do local”, considerou.

Custo

Embora os valores possam ser um atrativo aos consumidores, os custos de produção no Amazonas, segundo Veras, são mais altos comparados aos de outros Estados. Isto acontece, segundo ele, porque o Amazonas não produz todo o material de construção de que precisa para usar nas edificações. Ademais, compra desse material de outros Estados, pesa a questão do frete, visto que a logística é precária.

Não bastasse isso, disse ainda Veras, o custo com a mão-de-obra, a partir da necessidade de qualificar os trabalhadores, também onera os gastos para o construtor.  “Com a ressalva de que temos um preço de custo muito alto, nosso preço de venda está abaixo das capitais”, frisou Veras.

Setor aponta gargalos

Assim como Iranduba, outras cidades são citadas pelo Sinduscon dentre as que possuem grande capacidade de desenvolvimento econômico, como Manacapuru, Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo. No entanto, alguns gargalos podem impedir a concretização desta potencialidade.

Segundo o diretor-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária do Sinduscon-AM, Newton Veras, há “dois desconfortos”: a elevação no preço da coleta de resíduos sólidos e o cancelamento das inscrições estaduais dos incorporadores, a partir do Decreto nº 28.221, de 16 de janeiro de 2009.

No primeiro quesito, como atualmente uma única empresa está autorizada a realizar a coleta dos resíduos, os valores saltaram de R$ 70 para em torno de R$ 250, por carregamento.

O outro obstáculo mudou a tributação na compra de suprimento. Antigamente, as construtoras pagavam 7% no Estado de origem e recolhiam 5% para o Amazonas, o que totalizava 12%. Agora, com o cancelamento das inscrições, o pagamento é de 17%, sendo que sem nenhum centavo para o “Leão estadual”.

Em resposta a essa questão levantando pelo Sinduscon, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) argumentou que esta decisão foi estabelecida devido manobras das próprias construtoras. O titular da pasta, Isper Abrahim, ponderou que, antes da medida, quando as construtoras compravam em outras capitais tinham abatimento correspondente ao Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e PIS/Cofins (Programa de Integração Social/ Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), mas pagavam a diferença do ICMS ao fisco estadual, cobrança de 5%.

Abrahim destacou que, em outro momento, as construtoras decidiram não pagar este tributo, por serem prestadoras de serviço e não comerciantes de produto. O pedido foi deferido pela Justiça. Desta forma, “como eles não eram contribuintes de ICMS, a Sefaz cancelou as inscrições estaduais”, retirando os benefícios fiscais das empresas, medida esta que não tem possibilidade de ser alterada, de acordo com o secretário.

Para tentar evitar outros prejuízos a partir do Plano Diretor, que tramita na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o Sinduscon, juntamente com outras entidades, deve enviar, até o final do mês, sugestões de mudança na propositura.