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Manaus
MORADORES DE RUA

Em Manaus, mais de 500 pessoas moram desamparadas nas ruas

O 'Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua' quer chamar atenção da sociedade para aqueles que vivem sem amparo social, um grupamento invisível que só na capital reúne mais de 500 pessoas 19/08/2017 às 09:11 - Atualizado em 19/08/2017 às 09:11
Show silva
No dia de mobilização de amparo à população de rua, órgãos públicos vão acolher pessoas que precisam de atenção (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Uma população que sofre diariamente as consequências de um preconceito enraizado em praticamente todos os setores da sociedade. É a que vive em situação de rua. Em Manaus, há 553 pessoas vivendo nessa condição, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh). Entre esta sexta-feira (18) e sábado (19), uma ação de cidadania será realizada para marcar o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, comemorado em 19 deste mês. 

Hoje, a ação acontecerá das 17h às 21h, na quadra da Escola Estadual Dom Pedro II, no Centro. Dentre os serviços que serão ofertados estão emissão de RG, CPF, Certidão de Nascimento, orientação jurídica, corte de cabelo, banho e doação de roupas, além de atendimento médico, teste rápido e serviço odontológico. No sábado, a partir das 8h30, será realizado um culto ecumênico, seguido de uma apresentação gospel e almoço, na Praça dos Remédios, também no Centro.

De acordo com a coordenadora de Projeto da Comunidade Nova e Eterna Aliança, Francilene Carneiro, a mobilização nacional será realizada pela primeira vez na capital amazonense e um dos objetivos é cobrar a elaboração e execução de políticas públicas que atendam essa população, desassistida em todos os setores da sociedade. “Estamos levantando essa bandeira para despertar a reflexão na sociedade e na própria população em situação de rua”, disse.

Ela destacou que a população em situação de rua é marcada pela invisibilidade social, sujeitas a muitas vulnerabilidades como: a fome, o frio, a dependência química e a violência. “O preconceito entorno dessas pessoas ainda é muito grande. A sociedade em geral precisa garantir e respeitar os direitos delas. Fazer com que as políticas públicas saiam do papel. Mudar sua visão. Não é porque uma pessoa mora na rua que ela tem que ser tratada de forma diferente”, afirmou.

No último domingo, A CRÍTICA mostrou a vida de duas famílias, uma delas com crianças de 8, 5 e 2 anos, que vivem em condições precárias e sujeitas à violência embaixo da ponte Kako Caminha, no bairro Presidente Vargas, Zona Sul. No local, eles improvisaram barracos com restos de madeira, cujo teto é o concreto da estrutura. “Nesse tempo todo que estamos aqui nunca recebemos ajuda de nenhum órgão público”, disse Paulo Sales Rodrigues, 73. 

Promoção social

A ação de cidadania  está sendo organizada pelo Fundo de Promoção Social e Erradicação da Pobreza (FPS) junto com as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) Nova Aliança, Desafio Jovem, Janel Doylle, O Pequeno Nazareno, além da Secretaria de Estado da Justiça e dos Direitos Humanos (Sejusc) e da secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh).

O massacre da Sé deu origem ao Dia Nacional de Luta

O Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua faz referência ao episódio que ficou conhecido como o “Massacre da Sé”. Entre 19 e 22 de agosto de 2004, sete pessoas em situação de rua foram assassinadas com golpes na cabeça enquanto dormiam na região da Praça da Sé, no Centro de São Paulo. Os ataques também deixaram oito pessoas feridas. Até hoje, ninguém foi preso pelos crimes. 

A reinserção social e familiar é um processo complexo, o tempo pode variar de pessoa a pessoa. “A intervenção para que isso ocorra precisa ser global e pede por políticas públicas intersetoriais, envolvendo atendimento psicológico, social, orientação jurídica, oportunidades de trabalho entre outros”, disse a coordenadora de Projeto da Comunidade Nova e Eterna Aliança, Francilene Carneiro.

Para isso, ela destaca que é imprescindível que o Estado formule essas políticas em conjunto com a sociedade civil e garanta que seus servidores as executem de forma consistente, despojados do preconceito característico que existe no atendimento a este público, pois os motivos que levam uma pessoa à situação de rua são vários (desemprego conflitos familiares, traumas, doença mental, dependência química, discriminação devido à orientação sexual).