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Por medo de 'calote' lojistas do AM rejeitam pagamento com cheques

Cheques sem fundo levaram os lojistas de Manaus a evitar o recebimento desse “tradicional” meio de pagamento 25/01/2012 às 09:21
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Aumenta a cada o segmento de lojistas do varejo local que não aceita mais o cheque como meio de pagamento
RENATA MAGNENTI Manaus

No período de janeiro a dezembro de 2011 foram devolvidos um total de 19,7 milhões de cheques em todo o Brasil, segundo a Serasa Experian, o que representa crescimento de 1,95%.

A região Norte teve maior volume de cheques devolvidos ano passado e o Amazonas, em particular, registrou crescimento acima da média nacional: 2,14%. Com medo de levar calote, muitos lojistas em Manaus deixaram de aceitar essa modalidade de pagamento.

Para os economistas da Serasa Experian este cenário é consequência da elevação da inadimplência do consumidor, o crescimento da inflação que reduziu o poder aquisitivo, o rápido aumento do endividamento e os juros altos.

Todo este conjunto contribuiu para encarecimento do crédito e comprometer a capacidade de pagamento do tomador de crédito, incluindo o do pré-datado. No comércio A insegurança quanto ao desconto do cheque vem tornando os lojistas de Manaus cada dia mais reticentes a essa modalidade de pagamento.

Em alguns setores do varejo local, os cheques simplesmente não são mais aceitos. Isso acontece, por exemplo, nas lojas de vestuários, calçados, cama, mesa e banho e postos de gasolina. Segundo o gerente do Lojão do Queima, Rosivam Correia, há três anos a empresa não aceita mais cheque como pagamento. Ele informou que, anteriormente a esse período, de cada 10 cheques recebidos ao menos sete não tinham fundo.

 “É uma situação em que o lojista se arrisca muito e, provavelmente, temos um saldo negativo considerável de clientes que até hoje não quitaram suas dívidas”. Hoje, segundo ele, 60% dos clientes pagam suas compras em dinheiro. Essa insegurança atingiu também as lojas Kamabras, Di Santini, Shop do Pé, Show dos Calçados e Taco.

“Em São Paulo as nossas lojas aceitam cheques, mas aqui não, somente dinheiro e cartão de débito ou crédito. Precisamos garantir que iremos receber pela venda do produto”, disse o gerente da Di Santini Marcos Bruno Silva.

De acordo com dados da gerência da loja Kamabras, de cada 10 cheques que recebiam há uns quatro anos, quando a modalidade era aceita, o índice de inadimplência chegava há 97%.

Região Norte com maior porcentagem

A região Norte apresentou a maior porcentagem no ranking de cheques devolvidos no período de janeiro a dezembro de 2011, um crescimento de 4,18%.

No topo da lista aparece Roraima com 12,48% de “borrachudos” emitidos no ano passado. O Acre vem em seguida, com 9,25% e o Amapá em quinto lugar, com 7,18%. Apesar do crescimento na região Norte, o Amazonas é o Estado onde menos e emitiu papagaios: 2,14%.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaitano Antonaccio, admite que o cheque já não é recebido pela maioria dos lojistas no Estado e isso contribuiu para uma devolução até que baixa desse meio de pagamento.

Esse fato, segundo ele, beneficia o próprio consumidor que não tem o transtorno de ter cheques devolvidos, e tudo que isso implica. A região Sudeste foi a que menos teve crescimento apontando 1,57%. Apenas seis permaneceram com porcentual abaixo da média: Minas Gerais (1,80%), Santa Catarina (1,74%), Mato Grosso do Sul (1,69%), Paraná (1,67%), Rio de Janeiro (1,60%) e São Paulo (1,45%).