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Portarias do delegado-geral do AM concedem benefícios sem critérios

Portarias assinadas por Mário César em 2011 concedem benefícios  como pagamento de diárias, passagens e investimentos em treinamentos avançados a delegados, aparentemente, sem os mesmos critérios 09/05/2012 às 12:29
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O delegado-geral de Polícia Civil do Amazonas, Mário César Nunes, nega que tenha havido fraude
Monica Prestes ---

A nomeação do ‘quinteto fantástico’ – como ficaram conhecidos os cinco delegados de Polícia Civil nomeados há pouco mais de um ano sem terem sido aprovados em concurso público nem terem ordem judicial que os amparasse – não é a única portaria assinada pelo delegado-geral, Mário César Nunes, que soa “estranha” entre as publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE).

Outras portarias assinadas por Mário César em 2011 concedem benefícios  como pagamento de diárias, passagens e investimentos em treinamentos avançados a delegados, aparentemente, sem os mesmos critérios. É o caso das portarias 1139/2011, 0098/2012  e 864/2011, que dispensam diferentes benefícios para delegados da Polícia Civil em viagens de trabalho.

Enquanto o delegado-geral adjunto Antonio Chicre Neto foi autorizado a participar de uma reunião no Conselho nacional do Ministerio Publico, em Brasília, e a viajar para o Rio de Janeiro para tratar de “assuntos de interesse da Polícia Civil” sem o pagamento de diárias, os delegados Samir Garzedin Freire e Caio César Nunes receberam diárias de alimentação e hospedagem para viagens realizadas em novembro e dezembro do ano passado.

A portaria que autoriza a viagem a trabalho de Samir Freire chama a atenção pelo período em que o policial é destacado para cumprir “missão policial”, como diz o documento, publicado no Boletim Interno da Polícia Civil em dezembro passado: entre os dias 23 de dezembro –dois dias antes do Natal – e o dia 2 de janeiro. A portaria não especifica qual missão Samir Freire iria cumprir no município de Belo Horizonte (MG).

Fontes do portal acritica.com revelaram que o policial teria viajado acompanhado da companheira e, ainda, que familiares do delegado moram na cidade de Belo Horizonte. O delegado foi procurado na manhã desta quarta, mas não foi localizado pelo portal acritica.com

A reportagem solicitou no final da manhã desta quarta esclarecimentos sobre a missão para qual o delegado foi designado, mas ainda não recebeu resposta da assessoria da Polícia Civil, que deve se posicionar durante a tarde.

Mas a viagem do delegado Samir não é a única questionada por candidatos aprovados no Concurso da Polícia Civil de 2009, que não foram nomeados. Eles citam a portaria  1139/2011 como outro exemplo de favorecimento promovido pelo delegado-geral, desta vez em benefício de seu próprio filho, Caio César Nunes. O caso já foi denunciado pelo jornal e TV  A CRÍTICA.

Na portaria, publicada no boletim da Polícia Civil de 25 de novembro de 2011, Mário César autoriza a viagem de Caio para o município de Avaré, interior de São Paulo, entre os dias 9 e 20 de novembro do ano passado, onde Caio participaria do curso Swat Brazil, realizado pelo Centro Avançado de Treinamento Integrado (CATI). O delegado-geral determina o pagamento de diárias de alimentação e pousadas.

O curioso é que, àquela época, Caio César – que teve uma rápida e tumultuada passagem por delegacias do interior – já não atuava mais como delegado. Ele já estava, há mais de um mês, cedido para a 3ª Vara do Tribunal do Júri Popular, no Fórum Henoch Reis, bem longe das delegacias. Mesmo assim, o Estado custeou sua participação no curso.