Publicidade
Manaus
Manaus

Praias do Amazonas são invadidas por lanchas e jet-skis

Mesmo com a fiscalização da Marinha, condutores de veículos náuticos colocam em risco vida de banhistas nas praias do Tarumã 16/04/2012 às 07:28
Show 1
Condutor de jet-ski se aproxima perigosamente da área de praia onde banhistas aproveitam o dia de sol para se divertir nas águas da praia da Lua
Luciana Santos Manaus

Irregularidades cometidas por proprietários e condutores de embarcações continuam colocando em risco a vida dos banhistas que frequentam as praias e flutuantes localizados na beira rio de Manaus.

A Crítica visitou nesse domingo (15) esses locais e constatou a presença de lanchas e jet-skis trafegando próximo às pessoas que aproveitavam o dia para tomar banho de rio. Na Prainha, por exemplo, três jet-skis e uma lancha dividiam o espaço com crianças, que nadavam despreocupadas. E o mais grave: os condutores falavam ao celular e tiravam fotografia enquanto manobravam a embarcação.

Na Praia da Lua a situação era a mesma. “A pessoa passa muito próxima dos banhistas, sem se preocupar com a presença de crianças. É muito perigoso”, observa a estudante Daniela Souza.

O biólogo Olesson Barbosa também passava o domingo na Praia da Lua e destacou a velocidade com que as embarcações trafegam pelo local.

“O jet-ski é similar a uma moto. Eles passam em alta velocidade num local onde pessoas estão bebendo e isso aumenta o risco de um acidente fatal”, afirma.

O auxiliar de máquinas Geovane Lopes também se diz preocupado com a segurança nos balneários e sugere uma maior fiscalização e uma estrutura que diminua os riscos nessas áreas de lazer.

“Deveriam criar um local próximo às praias para que as embarcações possam atracar sem colocar em risco as outras pessoas”, pondera. O problema ocorre mesmo com a fiscalização da Capitania dos Portos. Ontem uma equipe realizava abordagens nos pontos de maior concentração de banhistas e veículos náuticos, como as praias do braço do Rio Tarumã.

Os militares informaram que ontem mesmo um jet-ski havia sido apreendido por falta de documentação do veículo e de habilitação do condutor.

Sobre o tráfego de embarcações próximo aos banhistas, eles informaram que estavam abordando os condutores e orientando-os sobre o cumprimento da legislação, que proíbe tal situação de risco. Segundo a assessoria de imprensa da Capitania dos Portos, a instituição está dando continuidade nos fins de semana e nos feriados à Operação Verão, que oficialmente teve início em 20 de agosto do ano passado e foi concluída no mês passado.

“Verificou-se a necessidade de dar continuidade à operação devido ao grande movimento de banhistas e de embarcações, apesar de a operação já ter sido concluída em outros estados do País”, informa.

Balanço de verão
No mês passado, o Comando do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil divulgou que foram apreendidas 123 lanchas e jet skis durante a Operação Verão, de um total de 1.158 embarcações  inspecionadas. Destas, 254 foram notificadas por irregularidades.

Conforme o comando, além das embarcações da categoria Esporte e Lazer, outras 484 de transporte de passageiros e de cargas foram inspecionadas. Dessas 374 apresentaram irregularidades e 110 foram apreendidas. As principais irregularidade encontradas foram o seguro obrigatório vencido e condução sem habilitação.

Crime e castigo em São Paulo
Na última quinta-feira, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra quatro suspeitos de envolvimento na morte da menina Grazielly Lames, 3, atropelada por um jet ski dirigido por um adolescente no dia 18 de fevereiro na praia de Bertioga, cidade do litoral de São Paulo.

Os acusados pelo MP são o padrinho do adolescente e dono da embarcação, José Augusto Cardoso, o caseiro Erivaldo Francisco, que levou o equipamento para o mar, e os mecânicos Thiago Veloso Lins e Aílton Bispo de Oliveira, porque teriam sido imprudentes ao deixar uma peça do equipamento enferrujar.

Para José Augusto e Erivaldo, a promotoria pediu  o aumento de pena em um terço por eles não terem procurado diminuir a consequência de seus atos e não prestar auxílio às vítimas. A promotoria pediu ainda o aumento de pena dos mecânicos, que fizeram a lubrificação do jet ski dias antes do acidente, atestando que o equipamento estava em perfeito estado de funcionamento e que poderia ser utilizado.

A pena para homicídio culposo varia de um a três anos de detenção.