Publicidade
Manaus
MAU EXEMPLO

Praias formadas pela vazante revelam lixo despejado por banhistas em Manaus

Áreas de diversão que se formam com a seca trazem o problema dos produtos que são despejados pelas pessoas que frequentam constantemente esses locais 18/09/2017 às 09:18
Show lixonapraia
Lixo é encontrado em diversas partes da Praia da Ponte / Fotos: Antonio Lima
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As praias formadas pelas vazantes do rio Negro revelam locais pitorescos para os banhistas, mas com elas vêm, também, a ausência total de estrutura para acolher quem busca apenas se divertir à beira e dentro d’água. A existência de lixo despejado na praia pelos próprios banhistas é um dos mais graves problemas relatados por eles mesmos, conforme apurou a equipe de A CRÍTICA.

“Há bastante sujeira. Toda vez é assim quando estamos aqui”, disse o montador naval Maikon da Silva, 29, que frequenta a Praia da Ponte, formada após a Ponte Rio Negro, junto com a esposa Ana Paula dos Santos Vasconcelos, 24: ambos são pais de Lucas Victor, 2, e Deisiane, 4, e moram na Compensa 3, Zona Oeste da capital. Visitando recentemente a Praia da Ponte, eles falaram que faltam salva-vidas e pessoas para fazer a limpeza no local. 

Apelo

O padeiro Bruno Fausto, 20, estava passeando de bicicleta com a filha Daniele Cristina, de 2 anos, quando foi abordado pela reportagem para falar sobre o que sente falta na Praia da Ponte, local onde frequenta há cerca de  seis  meses. Ele comentou que o lixo lhe incomoda, bem como a ausência de segurança na área. “As pessoas jogam lixo em qualquer lugar e não recolhem o resto do que consomem. E por volta de 17h, 17h30, as pessoas começam a ir embora porque têm medo de serem assaltadas. Eu, por exemplo, estou dando uma passeada com a minha filha e já, já vou embora”, disse o morador do bairro Mutirão, no Cacau-Pirêra. “Esperamos que as autoridades olhem por nós e deixem esse ambiente bom, para evitar afogamentos e evitar assaltos. Eu só tenho essa opção e o Lago do Cacau pra me divertir”, ressalta ele.

Rose Mendonça, de 40 anos de idade, trabalha com serviços gerais em Iranduba, vende bebidas e frequenta constantemente a Ponte Rio Negro. “Todo domingo estou aqui com a minha banca, a partir das 9h. Aqui é muito legal. Nao cobram nada pra estacionar, mas falta policiamento e o pessoal joga lixo por aqui, além de não haver um salva-vidas. Já trabalho aqui há cinco anos e poderia ter um tratamento melhor”, disse ela, com 22 anos de vendas.

Na Praia do Açutuba o problema também se repete e preocupa banhistas, sobretudo aqueles que vão ao local com crianças. “É muito lixo na areia, às vezes boiando na água. A preocupação fica por conta de problemas de pele e saúde”, diz a professora Renata Santos, 36. 

Ponta Negra

Já em Manaus, em um dos cartões-postais da cidade, a presença de lixo espalhado pela faixa de areia é lamentável, diz o bombeiro hidráulico Francisco Alexandrino. “Lixo tem muito. A falta de educação do manauara é muito grande. Sempre que estamos aqui na Ponta Negra nós presenciamos isso. Pode olhar pra trás que aparece muito, de toda espécie”, destaca ele, que por sua vez elogia o policiamento que existe no balneário. “Há algum tempo era perigoso demais, agora está mais tranquilo. Teve uma época que não dava nem pra trazer nada. Hoje melhorou um pouco”, conta  Franscisco Alexandrino.

Barrancos perigosos

Para chegar à praia da Ponte, o banhista “enfrenta”, além dos problemas de lixo citados nesta matéria, barrancos  que podem causar acidentes com consequências que podem ser graves para os banhistas. Todo cuidado é pouco para quem passa por aquela área, principalmente crianças e idosos, que são mais susceptíveis a quedas e escorregões.

Frase

"Aqui na Praia da Ponte é muito legal. Não cobram nada pra estacionar, mas falta policiamento e limpeza”

Rose Mendonça, 40, vendedora

Blog
 

Damião Castelo, vendedor ambulante, 34 anos

A construção da Ponte Rio Negro foi proveitosa para muitas pessoas, que tiveram a travessia até o Cacau-Pirêra/Iranduba facilitada. Mas não para pessoas como o vendedor ambulante Damião Castelo. “A ponte prejudicou a mim e a outros vendedores, que ficaram sem um ponto para comercializar seu produto. Essa ponte afundou e prejudicou muita gente.  Trabalhávamos na balsa que fazia o transporte para o Cacau Pirêra e dependíamos demais da balsa do  Cacau. Eu ganhava 800 por dia descascando laranja e côco. Deveriam fazer algo por nós; criar uma associação para nós".

Limpeza é com prefeituras

Em áreas de vazante como a Praia da Ponte, a limpeza é responsabilidade  do setor específico da Prefeitura Municipal de Iranduba, cidade localizada a 27 quilômetros de Manaus.
A reportagem de A CRÍTICA tentou contato com a assessoria de comunicação do município, mas até o fechamento desta edição não havia conseguido retorno para saber se há algum projeto específico de limpeza para as praias que se formam neste período.

No âmbito da capital, a praia da Ponta Negra, citada na matéria como uma das que recebem lixo da população, tem serviço que é coordenado pela Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp).

Segundo informa o diretor de limpeza do órgão, Laurimar Costa, os restos de alimentos ou qualquer produto que os banhistas despejam na praia são recolhidos diariamente por uma equipe fixa de limpeza formada por um total de 35 pessoas que trabalham em sistema de revezamento, tanto na parte da faixa de praia quanto no calçadão.
“Há banhistas aqui da Praia da Ponta Negra que não têm consciência, mas sempre buscamos conscientizá-los da importância de não jogar lixo na areia. É difícil, mas não podemos desistir. Passamos o dia todo trabalhando”, garante o diretor.