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Pré-candidatos apostam em disputa equilibrada à prefeitura de Manaus

Na opinião dos demais prefeituráveis, vai prevalecer a tradição de Manaus de levar a eleição para o segundo turno 04/07/2012 às 08:25
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O ex-senador e pré-candidato a prefeito Artur Virgílio Neto (PSDB) afirmou que a regra em Manaus é de eleições decididas em segundo turno
LÚCIO PINHEIRO Manaus

Oito dos nove pré-candidatos à  Prefeitura de Manaus  afirmaram ontem a A CRÍTICA que a disputa pelo cargo será definida em segundo turno. Para eles, nem mesmo uma candidatura turbinada pela máquina dos governos estadual e municipal, como promete ser a da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), é capaz de mudar a tradição de eleições equilibradas na capital amazonense.

Na segunda-feira (2), Vanessa disse apostar na vitória dela no primeiro turno. “Acredito que tudo pode ser resolvido no primeiro turno”, declarou a pré-candidata  durante visita ao Sistema A Crítica de Rádio e Televisão. Com a renúncia da deputada federal Rebecca Garcia (PP), a senadora foi guindada à condição de candidata do governador Omar Aziz (PSD) e do senador Eduardo Braga (PMDB) à sucessão do prefeito Amazonino Mendes (PDT).

O ex-senador e pré-candidato a prefeito Artur Virgílio Neto (PSDB) afirmou que a regra em Manaus é de eleições decididas em segundo turno. E que é o histórico das disputas na capital do Estado que o faz concluir assim. “Sou uma pessoa muito realista. E até pela vida de desportista sou acostumado a competir e não vou nunca perder o pé no chão. Certamente terá segundo turno”, afirmou Artur.

Prefeito de Manaus de 2004 a 2008, o pré-candidato Serafim Corrêa (PSB) disse que respeita quem pensa diferente. Mas é só fazer os cálculos e olhar para o passado, para ver que a tradição mostra que em Manaus, seja a eleição para Governo do Estado ou prefeitura, é raro um candidato conseguir mais de 50% dos votos. “Eleição em Manaus é sempre no segundo turno. É tradição. Na minha modesta opinião, é que isso vai se repetir”, declarou o ex-prefeito.

Outro pré-candidato que não encontra razões para embarcar no otimismo demonstrado por Vanessa é o deputado federal Pauderney Avelino (DEM). “Desde que foi estabelecido um segundo turno eleitoral (em 1988) Não houve uma eleição em Manaus que não fosse definida no segundo turno. Ainda mais dessa vez, com nove candidatos”, defendeu o deputado federal.

Para Pauderney, quando a disputa é em Manaus, o peso da máquina por trás de uma candidatura interfere, mas nem tanto. “Não quer dizer nada. Na eleição de 2008, o Amazonino ganhou sem a máquina. Enquanto o Omar e o Serafim perderam com a máquina. O interior é mais suscetível à máquina, Manaus não”, avaliou o pré-candidato do Democratas.

Em 2008, Serafim Corrêa era o prefeito de Manaus, e concorreu à reeleição e foi derrotado por Amazonino Mendes. Omar Aziz, então vice-governador, entrou na disputa com o apoio de Eduardo Braga e sequer foi para o segundo turno.

Sabino exige o mesmo tratamento 

Último nome a anunciar candidatura a prefeito de Manaus, o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB) disse ontem que “só Deus sabe quem vai ganhar a disputa”. Mas avisou que vai cobrar de Omar Aziz (PSD), o mesmo tratamento que será dado à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “Quero dizer que fui da base de apoio e sempre fui e sou leal ao governador. E como candidato da base, acredito que terei o mesmo tratamento”, declarou.

Falando sobre a hipótese de um eventual segundo turno com a presença de Vanessa e ele fora da disputa, Sabino disse que só pediria votos para a senadora se sua candidatura tivesse sido respeitada pela base no primeiro turno. E afirmou que tem suas dúvidas sobre a recíproca. “Não creio que eu estaria de fora. Eu não sei nem se ela me apoiaria? A recíproca seria verdadeira? É preciso saber. Mas se teve respeito aos candidatos da base, vou respeitar a vontade do povo”, disse Sabino.

Após a derrocada de Rebecca Garcia como candidata de consenso do grupo de Omar Aziz e Eduardo Braga, Sabino anunciou, no domingo, que entrava na disputa. “O governador sempre disse que todos tinham o direito de ser candidatos. Como a deputada (Rebecca) saiu da disputa, eu resolvi concorrer. O meu eleitor me cobrava”, justificou ele.

Pré-candidato a prefeito de Manaus Artur Neto

“Ela tem as máquinas”

O pré-candidato a prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB), afirmou ontem que não se pode menosprezar a união de forças que estará ao lado de Vanessa Grazziotin (PCdoB) nas eleições deste ano, mas que há outros candidatos capacitados para acirrar ainda mais o equilíbrio no primeiro turno. “Ela tem as máquinas. Foi escolher o vice que foi por dois anos secretário de Amazonino. Tem um pé no Omar e no Braga, e o outro no Amazonino. Agora vamos olhar paras as outras pessoas. O Pauderney é qualificado. Há candidatos com votação popular. E tem o Serafim com um eleitorado considerado”, ponderou.

Artur e Vanessa protagonizaram uma disputa acirrada em 2010 por uma vaga no Senado. A comunista levou a melhor. Ontem, o ex-senador disse ser cedo para dizer que os dois nomes serão capazes de polarizar a briga pela Prefeitura de Manaus. Os adversários do tucano e da senadora garantem que não. “Por mais que os dois tenham maior tempo, a eleição está aberta”, afirmou Pauderney.

“Essa eleição é de vários polos”, disse Serafim. “Poderia acontecer se eu não tivesse entrado porque meu eleitorado iria para um dos dois. Entrando, esses votos vêm pra mim. Fora os que vou conquistar”, disparou Sabino.