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Precariedade do Terminal 1 agrava sofrimento de usuários de transporte coletivo de Manaus

Sem data definida para a desativação nem reformas à vista, o Terminal 1, na Constantino Nery, segue em condições precárias. Banheiros danificados, pichações, falta de segurança, entre outros, são um dos problemas do local 15/03/2014 às 08:52
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Pichações, falta de segurança, mau cheiro, lixeiras, banheiros e pistas danificadas são alguns dos problemas do T1
Perla Soares ---

Se já não bastassem as péssimas condições do transporte público em Manaus, os usuários do terminal de ônibus 1 (T1), na avenida Constantino Nery, Centro, Zona Sul, têm que conviver com outros problemas encontrados no local: a precariedade das instalações, reflexo do abandono. Banheiros danificados, pichações, falta de segurança, mau cheiro e ainda “banhos” da água suja, que escorre dos banheiros em cima dos ônibus que passam no terminal, respigando nos passageiros que estão aguardando transporte. Este é o retrato do T1, ainda sem prazo definido para ser desativado pela prefeitura.

“Aqui não tem nenhuma condição para os passageiros ficarem. Imagina para a gente que trabalha aqui e precisa ficar o dia inteiro. Não tem segurança e agora que colocaram esse bebedouro. Antes não tinha nem água para beber”, afirmou Belter Sasair, 46, funcionário do Sindicato das Empresas de Transporte do Amzonas (Sinetram).

A falta de segurança foi o motivo que levou o posto do Sinetram a fechar as portas na última segunda-feira, depois que quatro funcionários foram assaltados.

Impasse

De acordo com o vendedor ambulante Adilson dos Santos, 47, que atua no T1, a cada dia que passa fica mais difícil trabalhar no local. Segundo ele, a prefeitura já realizou uma reunião com os camelôs para anunciar a desativação do terminal, o que ainda não aconteceu. “Eles (prefeitura) reuniram com a gente em setembro e falaram que iam desativar o T1 em dezembro. Depois falaram que seria dentro de três meses. Depois deram uma data, dia 10 de março, que já passou, e até agora nada”, reclamou. Atualmente 127 vendedores ambulantes e camelôs atuam dentro do T1.

“Ruim com ele, pior sem”. É assim que o agente de bagagem, Willian Carlos, 26, define a situação do terminal e a desativação dele. “Como vamos ficar? Vou ter que pagar outra passagem? Meu ônibus vai parar onde?”, questionou, sobre a falta de informação.

Quem também não sabe para onde ir é Rodrigo Vidal, 52, que trabalha no terminal há dez anos como vendedor ambulante. “O terminal vai ser desativado, não nos dão uma data certa e nem falam para onde vamos, se para outro terminal ou para rua, ninguém sabe”, desabafou.

Acessibilidade

O universitário Francisco Cacilon, 36, é cadeirante e utiliza o terminal todos os dias para ir à aula. Ele conta que fica exposto ao risco de ser atropelado por um ônibus a qualquer momento, pois a única rampa de acesso para deficientes não tem espaço para a cadeira passar. “Eu fico no meio fio, todos os dias, na pista mesmo. Os ônibus passam muito próximos a mim. É perigoso, eu sei, mas o que eu posso fazer? Tem rampa mas não dá para passar a cadeira”, reclamou.