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Preço das passagens aéreas para o interior do Amazonas 'nas alturas'

O valor da passagem Manaus-Eirunepé-Manaus é ainda 48,43 % superior ao de  vôos para Londres, na Inglaterra, ou Frankfurt, na Alemanha, na Europa 01/12/2012 às 09:02
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A Trip Linhas Aéreas é a única empresa a realizar voos para o interior do Amazonas
Augusto Costa Manaus

O preço das passagens aéreas no trecho Manaus-Eirunepé, trecho de ida e volta, em voo realizado pela empresa Trip Linhas Aéreas pode ser até 140,14% maior do que Manaus-Miami(EUA)-Manaus. O consumidor que quiser viajar de Manaus para Eirunepé terá que desembolsar R$ 2.281,37 (ida e volta), enquanto outro que vá e volte à Miami, saindo de Manaus,  pela empresa American Air Line vai gastar R$ 950.

O valor da passagem Manaus-Eirunepé-Manaus é ainda 48,43 % superior ao de  vôos para Londres, na Inglaterra, ou Frankfurt, na Alemanha, na Europa. Pesquisa feita nesta sexta-feira pela reportagem de A CRÍTICA, considerando passagens disponíveis para compras ou reservas entre 1 a 3 de dezembro, mostra que 12 municípios do Estado possuem vos regulares durante a semana. As informações são dos portais da Trip Linhas Aéreas, única empresa a voar regularmente para municípios do interior do Amazonas.

O alto valor das passagens levaram o deputado estadual Adjunto Afonso (PP) a protestar essa semana na Assembleia Legislativa e prometer que provocará o Governo do Estado a suspender o subsídio de 11% no ICMS que a empresa recebe para comrar querosene.

A presidente da Amazonastur, Oreni Braga, questionou a estrutura da Trip, visto que  ela estaria prejudicando o turismo interno e o desenvolvimento da pesca esportiva na região.  “Quando realizamos a divulgação no exterior para a pesca esportiva, que acontece com maior intensidade em Barcelos, enfrentamos um gargalo na logística desses turista, pois em função do tamanho das aeronaves e da frequência dos vôos, há uma acentuada redução no fluxo de turismo para aquele município. Essa é uma das enormes dificuldades para interiorizar o turismo, em especial nos municípios indutores como Barcelos e Parintins”, lamentou Oreni Braga.

Ao ser questionada sobre os preços das passagens cobrados pela Trip, Oreni disse que durante as reuniões  com a diretoria da empresa eles alegaram que as tarifas  refletem os altos custos de um voo para o interior com aeronaves com pouca capacidade de oferta de assentos em função das pistas dos aeroportos, que, na sua maioria, não apresentam condições técnicas para receber aeronaves maiores.

“Entendemos que a partir da melhoria das pistas desses aeroportos com condições para receber aeronaves maiores, o preço das passagens cairá substancialmente, além do custo com manutenção que reduzirá de igual modo. Assim, teremos condições de internalizar melhor e intensificar o turismo do interior”, prevê Oreni.

A Trip tem  hoje dois voosdiários para Lábrea e pretende retirar um desses voos. Quando  isso acontecer vai aumentar a demanda e posteriormente o valor da passagem, que já está  saindo por quase R$ 3,5 mil, ida e volta. Quero que eles mantenham os dois voos para este município. Acionei a Comissão de Gestão e Serviço Público da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Marco Chico Preto para que possa verificar a situação e provocar a nossa bancada federal. Também pretendo pedir ao Governo do Estado a retirada do subsídio de 11% de ICMS dado à Trip para compra de combustível. Vamos solicitar que sejam baixados os preços das passagens para os municípios do interior”.

Justificativa

A Trip Linhas Aéreas, através de sua assessoria de imprensa, justificou os altos preços das passagens dizendo que há uma série de fatores operacionais que tornam as passagens aéreas no Amazonas mais caras e que embora a companhia tenha uma redução da alíquota do ICMS do combustível, em nove dos 13 municípios operados pela Trip no Estado os aeroportos não oferecem abastecimento para as aeronaves nem infraestrutura aeroportuária como caminhões de bombeiro e raio-X. Esses quesitos obrigam Trip, segundo normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a operar com uma aeronave menor, com uma oferta de assentos reduzidos.