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Manaus
PERIGO

Prédio condenado pela Defesa Civil amedronta moradores no Centro de Manaus

Conhecido como "Titanic", prédio que foi lacrado por risco de desabamento serve como abrigo e depósito de materiais 16/11/2017 às 07:45
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Edifício foi interditado e recebeu ordem de demolição, mas segue em pé. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Mesmo condenado pela Defesa Civil municipal e lacrado por risco de desabamento, um prédio, conhecido como “Titanic”, localizado na rua Mundurucus, em pleno Centro de Manaus, continua servindo como “abrigo” e depósito de materiais. O risco iminente de uma tragédia coloca em risco não apenas as pessoas que ignoram a interdição e seguem frequentando o imóvel, mas também vizinhos e todos que circulam diariamentente pelo local, que fica próximo ao Edifício Garagem, também conhecido como “Garajão”, em uma das áreas mais movimentadas de Manaus.

O alerta é do engenheiro civil Raylson Sebastian Alves de Souza, que teme que, caso nenhuma uma ação urgente seja realizada na edificação, ela possa vir a desabar, afetando, também, os prédios vizinhos e, possivelmente, deixando vítimas. “Talvez até fatais”, lembra o engenheiro. Em pelo menos quatro andares do prédio foram colocados andaimes na tentativa de sustentar parte da laje que está cedendo e evitar que destroços caiam na rua, atingindo pedestres que caminham por ali. 

“Você percebe que o prédio está em péssimo estado de conservação de longe. Foram colocados andaimes para tentar sustentar estruturas que estão ruindo em pelo menos quatro andares, o ferro está exposto e o concreto não suporta mais o peso. Essa ferragem não pode ficar exposta, nosso clima é de umidade e calor, que vai corroendo a estrutura. Isso é uma bomba relógio prestes a explodir”, afirmou.

Conforme o engenheiro, a estrutura está completamente comprometida e coloca em risco outros imóveis da rua. “Uma escada desabou e por pouco não caiu em cima do prédio vizinho, seria uma tragédia. O risco é grande ali porque, em caso de algum tremor, como a queda de alguma coluna ou de uma laje, todo o prédio pode desabar”, alertou.

Ocupação
Mesmo em péssimas condições estruturais, o prédio, que chegou a ser lacrado pela prefeitura no ano passado, é utilizado como depósito por um grupo de pessoas. Um homem, que não quis se identificar e que estava no local na manhã de terça-feira, disse que o dono do imóvel mandou demolir o prédio: “ele contratou uma empresa, vão demolir tudo”.

A comerciante Maria Inês da Silva de Sena, 29, contou que sente medo todos os dias, ao passar pela rua em frente ao prédio. “As vigas estão expostas, os ferros já estão para fora do concreto... a sensação que tenho é que, a qualquer momento, esse prédio vai cair e matar um monte de gente”, disse.

Segundo o Portal A Crítica apurou, a propriedade é da família Arteiro de Paiva e, de acordo com os moradores e comerciantes da área, eles não costumam ir até o local. A CRÍTICA tentou contato com os proprietários do imóvel, mas até o fechamento desta edição não obteve êxito.

Ação em 2013

Em 2013, o prédio foi lacrado e 12 famílias que haviam invadido o local foram retiradas. O prédio, além de abrigo de usuários de drogas, também era utilizado por vendedores ambulantes, que guardavam nele mercadorias e as barracas.

Local sofreu embargo e interdição

O Portal A Crítica entrou em contato Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) que, por meio de nota,  informou que o prédio foi interditado e lacrado em fevereiro do ano passado, atendendo a pedido da Defesa Civil e do Ministério Público Estadual. Ainda conforme a nota, o proprietário, responsável pelo imóvel, foi notificado sobre o risco, interdição e a necessidade de realizar reforma para garantir a segurança do mesmo ou providenciar a demolição voluntária, mas não informou prazos. O prédio já foi alvo de diversas ações de fiscalização, incluindo embargos e interdições.