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Manaus
RUÍNA

Prédio da Biblioteca João Bosco Evangelista está abandonado e é alvo de vandalismo

O edifício localizado no Centro foi fechado pela Prefeitura de Manaus em 2011 para uma reforma e a realização de reparos na instalação elétrica e hidráulica, com prazo estimado de 12 meses 19/11/2017 às 14:41
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Fachada do prédio, construído em 1908, está em ruínas. Fotos: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Fechado há mais de seis anos para uma reforma que nunca foi iniciada, o prédio da Biblioteca Pública Municipal João Bosco Evangelista é reflexo do abandono e descaso por parte da Prefeitura de Manaus. Localizado na Praça do Congresso, no Centro, o prédio histórico, que foi construído em 1908, é alvo de depredação diária e virou abrigo de usuários de drogas e moradores de rua.

O edifício foi fechado em 2011 para uma reforma e reparos na instalação elétrica e hidráulica, com prazo estimado de 12 meses. Contudo, desde então, as únicas intervenções realizadas na estrutura foram promovidas por marginais, que furtam tudo o que podem, como vidraças, luminárias e até pedaços de madeira, inclusive do piso. O espaço também é compartilhado com garotas de programas e travestis que utilizam o espaço como prostíbulo. O edifício histórico agora serve, também, como ponto de encontro de usuários de drogas, que se reúnem, principalmente, durante a noite.


Escadaria, telhados e parte do piso do imóvel estão comprometidos: vândalos roubaram de lâmpadas a tábuas e fiação

“Infelizmente o patrimônio histórico, que é nosso, é esquecido e destruído por falta de ações dos nossos governantes. É lamentável, pois ali parte da nossa história vai sendo esquecida, sendo perdida. A única referência que os mais novos têm é que esse prédio é frequentado por bandidos e marginalizados, nada mais que isso”, lamentou o taxista Cláudio Honorato Barbosa, 41.

Esquecimento

De segunda a sexta-feira, o estudante do segundo ano do ensino médio Luiz Henrique Caldas, 17, passa em frente ao prédio abandonado para ir à escola, o Instituto de Educação do Amazonas (IEA), mas nunca imaginou que aquele local sujo, depredado e fétido abrigasse uma biblioteca municipal há quase sete anos, isso porque nem placa com o nome da biblioteca existe mais na fachada do prédio.


Até uma árvore nasceu na fachada na fachada do prédio 

“Sério que era uma biblioteca? Eu passo aqui pela frente todos os dias, há quatro anos, e nunca imaginei que fosse. Achei que era um prédio como outro qualquer, desses que estão abandonados há muitos anos aqui em Manaus. É muito triste ver como nosso prefeito trata a nossa cidade, esse prédio poderia ser usado por estudantes de várias escolas que ficam aqui próximo, porque seria mais cômodo. Eu sei que tem outras no Centro, mas essa aqui fica na esquina da minha escola”, contou.

De temporário a fixo

Atualmente a Biblioteca João Bosco Pantoja Evangelista funciona na Casa do Restauro, na rua Costa Azevedo, 216, no Largo São Sebastião, das 9h às 17h (segunda a sexta). O acervo tem mais de 13 mil exemplares.

Blog: Orlando Câmara, jornalista

A situação da Biblioteca Pública Municipal é uma ferida no Centro Histórico de Manaus. A um quarteirão do Teatro Amazonas, o prédio é o retrato da decadência e da miséria urbana.  Além do crime contra o patrimônio público, um buraco negro à segurança daquele entorno foi aberto. Ali, se esconde todo tipo de marginal. Se o poder público, proprietário do imóvel, dá esses exemplos, o que esperar dos donos de imóveis particulares? Não dá pra entender que existe verba para uma obra de R$ 15 milhões, como a da Matriz, mas não se consegue resolver uma questão pontual, que é o caso da Biblioteca. Será necessário que ela fique em ruínas, para que uma providência seja tomada?”

Espaço de livros tomado por detritos

O estudante do segundo ano do ensino médio Clóvis Lima Batista, 16, lamentou o estado de abandono do prédio e afirmou que sente como se a história da cidade fosse pisada e “varrida” para debaixo do tapete.  Na avaliação do jovem, é preciso investir mais e não “esquecer” as obras, principalmente as que têm valor histórico e cultural.


Além de infiltrações e goteiras, que resultam em água parada, local tem fezes e urina

Em vez de livros, os espaços da antiga biblioteca agora são tomados por fezes, urina e muita água parada, que compõem um cenário de filme de terror. “O sentimento é de revolta. São muitos prédios abandonados. Esse aqui, por exemplo, conta um ponto da nossa história, da história da cidade. Ele fica no Centro histórico, mas é como se ninguém se importasse. Está esquecido, abandonado, alvo das ações do homem e do tempo, daqui mais alguns anos não existirá mais nem ruínas. Parece locação de filme de horror”, lamentou o jovem.

Prédio não está no ‘pacote de obras’

A CRÍTICA entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para questionar quando as obras seriam iniciadas de fato e qual o prazo para a conclusão. No entanto, por meio de nota, a prefeitura informou que, quando a atual gestão assumiu, em 2013, o espaço já estava fechado. No entanto, de lá para cá passaram-se mais quatro anos sem que nada de efetivo fosse feito pela atual gestão.

 Em 2014, a biblioteca foi incluída nas ações de revitalização pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Entretanto, segundo a prefeitura, em 2015 e 2016, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) teve problemas para aprovação de projetos e liberação dos recursos, motivo pelo qual a obra ainda não pôde ser realizada.

A nota informa ainda que, este ano, com as mudanças políticas, a prefeitura decidiu reestruturar a equipe municipal do PAC Cidades Históricas. A prioridade da nova comissão foi dar andamento às obras que estavam em curso, como as praças XV de Novembro (Matriz), Tenreiro Aranha e Adalberto Vale. A biblioteca não está nesse pacote e os projetos de reforma precisarão ser revisados.