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Prefeito de Manaus diz que sua administração é dificultada pela imprensa e MP

Falta de conhecimento técnico por parte da imprensa e do Ministério Público é, de acordo com Amazonino Mendes (PDT), uma dificuldade 29/03/2012 às 07:40
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O prefeito Amazonino no lançamento de pacote de cursos para servidores
FLORÊNCIO MESQUITA e LÚCIO PINHEIRO Manaus

O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), voltou a repetir que não é candidato à reeleição no pleito deste ano, renovou às críticas aos seus antecessores e disse que vai dar um tempo na política. As declarações do prefeito foram feitas na manhã de ontem durante a apresentação de cursos para servidores na Fundação Escola de Serviço Público Municipal (FESPM), na Zona Centro-Sul.

Amazonino ironizou a gestão de Serafim Corrêa (PSB) sem citar o nome do ex-prefeito e disse que Manaus tinha uma “administração medieval”. Ele justificou o argumento alegando que não havia controle de gastos na cidade e sequer sabia o que isso significava.

Outros culpados

Amazonino afirmou que a imprensa local e o Ministério Público Estadual (MPE) são responsáveis por grande parte das dificuldades que enfrentou para executar trabalhos na administração municipal porque, segundo ele, os profissionais das áreas “não têm conhecimento técnico”. “Na minha experiência administrativa grande parte das dificuldades que tenho para executar as coisas é o desconhecimento técnico das pessoas, da imprensa e do Ministério Público que terminam atrapalhando e muito o trabalho da gente”, disse.

O prefeito que alegou ser “incompreendido” por conta da forma como administra a cidade frisou que “não quer mais a prefeitura”. O motivo segundo ele é o processo político local que está degenerado. “Não são os problemas. A questão é o processo político que se degenerou, está horroroso, está insuportável. O que é verdade vira mentira e o que é mentira vira verdade. Isso não dá para um homem como eu aguentar. Eu não aguento mais esse tipo de coisa. Vou dar um tempo”, disse.

Durante o evento, Amazonino não poupou elogios aos secretários presentes ao ato e destacou o nome do médico Mauro Lippi, titular da Secretaria Municipal de Educação (Semed), apontado como pré-candidato. O prefeito elogiou em um discurso curto a diretora-presidente da FESPM, Ângela Bulbol, o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, e o diretor-presidente do Manaustrans, Walter Cruz.

Os elogios de Amazonino para Mauro Lippi provocaram três intervenções de aplausos dos presentes. Aos outros secretários os aplausos se deram por uma vez, quando tiveram os nomes mencionados.

A ênfase de Amazonino ao secretário Lippi tem sido recorrente nos últimos meses. Na recente entrega de novos ônibus para o sistema de transporte público, o prefeito usou o evento para enaltecer o secretário. Na ocasião, o animador do evento brincava com as “torcidas” dos secretários, de cima de um palanque, para saber qual era a maior e a mais animada. A campeã um número e animação foi a de Lippi.

Serafim responde às críticas

O ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) rebateu as críticas de Amazonino Mendes (PDT) à gestão dele quanto ao controle de gastos. “O Amazonino Mendes tem controle de gastos desde o tempo que ele administrou a Arca (construtora), empresa por meio da qual ele enganou todo mundo na cidade”, disparou.

Serafim Corrêa disse que Amazonino deve explicações à sociedade sobre o porquê de ter R$ 3 bilhões a mais para administrar a Prefeitura de Manaus e não o fez. “O que ele fez com o dinheiro? Dava para ter feito três pontes Rio Negro. Mas ele não concluiu nem a ponte da rua Itália (no bairro Parque das Nações, Zona Norte). As coisas que ele fez foi com o que eu deixei contratado”, rebateu.

O ex-prefeito devolveu o adjetivo de medieval a Amazonino. “Medieval é ele que não aceita o debate. Vai a rádios, me critica, e depois diz para os donos que se me ouvirem ele não paga a fatura. Isso que é medieval. Mas o debate eleitoral está chegando”, atacou.

Na mira dos pré-candidatos

Em dezembro de 2011, o secretário Mauro Lippi foi acusado por vereadores da oposição e da base de apoio de Amazonino de fazer campanha eleitoral antecipada e de tentar jogar os professores da rede municipal de ensino contra a Câmara Municipal. Na ocasião, Lippi não quis se pronunciar sobre as denúncias. Uma semana antes de Lippi ser acusado na CMM, Amazonino disse que tinha um “secretário de excepcional”.

Secretário Municipal de Educação Mauro Lippi

Como uma janela aberta Médico, Mauro Lippi está à frente da Semed desde julho de 2010. É o terceiro no comando da pasta na gestão de Amazonino. Antes dele, ocuparam o cargo Therezinha Ruiz e Vicente Nogueira. “Quebrando a minha cabeça fui inventar um médico para dirigir vocês (professores). Com o corpo de atleta que ele tem é um homem de muita energia, compromisso público, amor e carinho com as pessoas. Um ser humano que se preocupa com o outro. Isso é comovente é como se eu tivesse aberto uma janela para algo que sempre sonhei na vida como administrador”, disse o prefeito sobre o secretário.