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Prefeito do interior do AM tem mandato ameaçado

Vereadores que investigaram irregularidades na Prefeitura de Boa Vista do Ramos devem sugerir cassação do prefeito Elmir Lima Mota (PSC) 23/02/2012 às 10:47
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Prefeito Elmir Mota teve o mandato cassado em 2009 pela Câmara Municipal mas voltou ao cargo por decisão judicial
LÚCIO PINHEIRO Manaus

A comissão processante (CP) criada pela Câmara Municipal de Boa Vista do Ramos (a 270 quilômetros de Manaus) para investigar irregularidades na gestão do prefeito Elmir Mota (PSD) e do vice-prefeito, Glauciomar Pimentel (PSC), apresentará, no próximo sábado, o relatório final.

Composta por adversários de Elmir, a CP deve recomendar a cassação dos dois. Prefeito e vice estão afastados dos cargos desde que veio a público, em novembro do ano passado, imagens do vereador Joaquim Teixeira recebendo dinheiro de Elmir Mota e guardando os valores na cueca.

Desde o dia 28 daquele mês, a Câmara de Vereadores do Município apura essas e outras irregularidades. A dupla também é acusada de realizar seguidos saques da conta da Prefeitura após ter sido afastada do cargo.

O relatório será apresentado em uma sessão extraordinária, às 18h do dia 25, convocada pelo prefeito interino, vereador Marlon Trindade (PT), que é adversário de Elmir Mota. “Espero que a Câmara peça a cassação dele (Elmir). Estou preocupado. Temos R$ 400 mil na conta do Fundeb. Se ele voltar, vai sacar todo o dinheiro. Ele nunca teve responsabilidade”, disparou Trindade.

A relatora da CP, vereadora Rosa Aguiar (PTB), informou que os trabalhos da comissão serão finalizados hoje. Ontem, a parlamentar disse que não poderia adiantar o resultado do relatório antes de se reunir com os colegas. “Mas amanhã (hoje) já teremos um posicionamento”, comentou Rosa.

Além da vereadora Rosa, fazem parte da CP os vereadores Amadeu Junior Andrade (PT) e Edmar Carlos Barros da Silva (PTB). Todos são opositores do governo de Elmir e Glauciomar.

A Câmara de Boa Vista do Ramos precisa do voto de seis dos nove vereadores para cassar o mandado do prefeito. Segundo Marlon Trindade, Elmir e Glauciomar também estão sendo investigados por causa de repasses abaixo do que é determinado pela Constituição à Câmara Municipal.

“Ele (Elmir) deveria passar R$ 72 mil à Câmara, mas repassa R$ 57 mil e ainda com 15 a 20 dias de atraso. Já chegou a atrasar até quase um mês”, disse o vereador. Em 2009, a Câmara Municipal cassou o mandato de Elmir com base em parecer de uma CP presidida por Marlon Trindade.

Mas o prefeito ganhou na Justiça o direito de retornar ao cargo. O prefeito não atendeu as chamadas para os telefones 91xx-xx81 e 92xx-xx66.

Vice-prefeito diz que rompeu

Glauciomar alega que não ordenava despesas O vice-prefeito Glauciomar Pimentel (PSC) afirmou que rompeu com o prefeito Elmir Mota (PSD). Segundo ele, o anúncio foi feito ontem, em uma rádio na cidade.

“Tenho um nome a zelar. Não posso ficar ao lado de uma pessoa cheia de problemas. Rompi totalmente com ele”, disse Glauciomar. O vice-prefeito disse que vai apresentar sua defesa e provar que não cometeu irregularidades.

“Sou investigado, mas estou com a consciência tranquila, pois não sou ordenador de despesa. Ele (Elmir) que é o gestor das contas. Não tenho envolvimento com as coisas que ele fazia”, defendeu Glauciomar.

Glauciomar informou que já recebeu a notificação para comparecer à sessão extraordinária na Câmara no dia 25. Segundo ele, Elmir estava ontem na zona rural da cidade.

O responsável pelo policiamento em Boa Vista do Ramos, 1º Sargento Aloizio Bentes, disse que pediu reforço policial ao comando da Polícia Militar em Parintins.

“Apuramos que há rumores de que haverá tumulto. O prefeito estaria dizendo que vai resistir em caso de cassação. Então, para garantir a ordem, pedimos reforço”, explicou Bentes. Atualmente, o efetivo policial de Boa Vista do Ramos é de dez policiais militares. O advogado da Câmara Municipal de Boa Vista do Ramos, José Fernandes Junior, afirmou, nessa quarta-feira, que a Casa seguiu todos os passos estabelecidos na resolução n° 010/2011, de 29 de novembro de 2011, que criou a Comissão Processante (CP).

“A Câmara garantiu aos investigados o direito da ampla defesa, e vem respeitando todo o processo legal”, disse José Fernandes.