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Prefeitura de Coari (AM) na mira do MPE

Município é um dos cinco que receberão visita da Coordenadoria de Combate ao Crime Organizado 24/02/2012 às 07:49
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Promotor de Justiça, Fábio Monteiro, diz que um dos focos da investigação são as fraudes em processos licitatórios
KLEITON RENZO Manaus

Pelo menos 20 pessoas ligadas à administração do Município de Coari (distante 270 quilômetros de Manaus) serão ouvidas na primeira quinzena de março pelo titular da Coordenadoria de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CaoCrimo), promotor de Justiça, Fábio Monteiro.

Os depoimentos fazem parte do cronograma de visitas aos municípios do interior que será realizada este ano pelo Ministério Público Estadual (MPE) para apurar denúncias de irregularidades, nessa primeira etapa, nas prefeituras municipais de Envira, Maraã, Tapauá, São Paulo de Olivença e Coari.

As denúncias que colocaram Coari no topo da lista dos municípios que serão visitados pelo CaoCrimo partiu do ex-vereador e ex-secretário de administração da cidade, Evandro Morais. A informação foi repassada por Fábio Monteiro.

Segundo ele, o ex-secretário procurou o MPE com “material da prefeitura”. “Conversei com ele (Evandro Morais), e ele nos procurou com material de lá da prefeitura. A gente já sabe os nomes das pessoas que vamos procurar, mas para evitar a dificuldade na coleta de provas melhor não divulgar”, explicou o coordenador do CaoCrimo.

Lista de depoentes Segundo Fábio Monteiro, o CaoCrimo espera apenas a lista final com os nomes das pessoas que serão ouvidas para que sejam instaurados os procedimentos. Monteiro disse que os trabalhos foram adiantados nos dois primeiros meses deste ano, e que espera a lista para a próxima semana.

“Com o recesso do Carnaval os promotores não mandaram ainda os nomes. E com isso estou fechando a data para ir a Coari em março”, disse o promotor de Justiça. Entre as denúncias que serão apuradas nos municípios, as mais registradas são: fraude em licitação, direcionamento de empresas em processos licitatórios, dispensa de licitação irregular e prestadores de serviços irregulares.

 “Há indícios de que vários fornecedores das prefeituras teriam empresas em nomes de laranjas. Pessoas inclusive de dentro da administração”, comentou Monteiro.

Nas visitas do CaoCrimo, aos município do interior do Amazonas, além do promotor Fábio Monteiro, deverão fazer parte da equipe auditores do Ministério Público Federal (MPF), para apurar irregularidades em convênios das prefeituras com a União; agentes da Polícia Federal (PF), e representantes do Ministério Público de Contas (MPC) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).

Município é palco de conflitos

Os constantes conflitos envolvendo a Prefeitura de Coari explicam a motivação das denúncias apresentadas pelo ex-secretário de administração, Evandro Morais, ao CaoCrimo.

“Ele (Arnaldo Mitouso) sabe o calhamaço de documentos que eu tenho sobre irregularidades dentro da prefeitura”, o aviso em tom de ameaça ao atual prefeito de Coari foi feito em outubro de 2011, por Evandro Morais.

Na ocasião, Morais se defendia da acusação de que um homem armado, preso pelos seguranças do prefeito no aeroporto de Coari, estava a serviço dele.

Mitouso, dois meses antes, em agosto de 2011, sobreviveu à uma tentativa de assassinato na Avenida Torquato Tapajós, Zona Norte de Manaus. Foi alvejado com um tiro no pescoço que não atingiu nenhuma veia nem a coluna cervical.

A picape Hylux em que ele estava, e que era conduzida pelo segurança Celidônio da Silva, recebeu nove disparos de pistola 9 milímetros, arma de uso exclusivo das Forças Armadas.

Após passar por exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) de Manaus, o prefeito foi à sede da Polícia Civil (PC) e disse que o atentado tinha motivações políticas, mas não deu nomes de quem poderiam ser os mandantes do crime.