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Presidente do grupo que controla a Águas do Amazonas será convocado pela CPI da Água

Presidente do grupo que controla a Águas do Amazonas será chamado para prestar depoimento sobre contrato de concessão 24/05/2012 às 08:22
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Vereador Leonel Feitoza diz que empresa tem lucro líquido de R$ 40 milhões
ARISTIDE FURTADO Manaus

O presidente do grupo Solvi, Carlos Leal Villa, e o diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Amazonas (Arsam), Fábio Alho, serão convocados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Água. A decisão foi tomada, nessa quarta-feira (23), por unanimidade, pelos membros da CPI. O Solvi é o grupo empresarial que controla a Águas do Amazonas.

“Esse cidadão (Carlos Villa) reiterou várias vezes, na imprensa, que a empresa teve prejuízo. Se é deficitária, por que ficou com 49,75% do serviço?”, disparou o presidente da CPI, vereador Leonel Feitoza (PDT). O porcentual de participação da empresa no abastecimento de água em Manaus, a que o vereador se refere, foi costurado pelo prefeito Amazonino Mendes (PDT) e anunciado na última quinta-feira. No novo formato, 51,25% da ações do consórcio que comanda o serviço ficou com o grupo Águas do Brasil. E o restante com o grupo Solvi.

Líder do prefeito Amazonino Mendes (PDT) na Câmara Municipal de Manaus (CMM), Feitoza disse que a Águas do Amazonas tem lucro líquido de R$ 40 milhões por ano, segundo levantamento feito pelos técnicos que assessoram a comissão. “A empresa não cumpriu as metas pactuadas no contrato, apesar da prefeitura ter investido R$ 60 milhões no sistema, depois da repactuação, e o BNDES ter injetado mais R$ 100 milhões. O prefeito, à época (Serafim Corrêa) ainda diminuiu as metas. E a empresa nada fez, só ganhou dinheiro. Ele tem muito a esclarecer”, disse Feitoza.

O diretor-presidente da Arsam, Fábio Alho, será convocado, disse Leonel Feitoza, para explicar porque o órgão deixou a Águas do Amazonas continuar à frente da concessão mesmo descumprindo cláusulas contratuais. “A Arsam é responsável pela fiscalização das concessões públicas. Por que tolerou tudo isso que a Águas do Amazonas fez?”, questionou o presidente da comissão.

Os depoimentos de Carlos Villa e Fábio Alho estão previstos para a próxima semana, na quarta ou na quinta-feira, à tarde, no plenário da CMM, segundo Feitoza. A reunião será aberta ao público. “Os procuradores da CMM já estão providenciando a convocação deles”, disse Feitoza.

Grupo Suez está na lista

O presidente da CPI da Água, vereador Leonel Feitoza, disse ontem que a comissão também irá convocar representantes do grupo SuezLyonnaise para prestar depoimento. Foi esse grupo empresarial que, em junho de 2000, em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, ganhou o controle acionário da Cosama com o lance de R$ 193 milhões.

À época, o governador do Estado, responsável pelo processo de privatização da empresa de saneamento, era Amazonino Mendes, hoje prefeito de Manaus. “Como é que o grupo (Suez) pagou quase R$ 200 milhões pela concessão em Manaus e, segundo dizem as pessoas, vendeu o serviço para a Águas do Amazonas por R$ 1. Queremos saber por que vendeu o serviço”, disse Feitoza.