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Presidiários do AM trabalham em busca da liberdade no PIM

Empresas do PIM apostam em linhas de montagens formadas por presidiários dentro da penitenciária Anísio Jobim 10/03/2012 às 18:11
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Salário e redução da pena estimulam presos a trabalharem no Polo Industrial de Manaus
JOANA QUEIROZ ---

Presidiários do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no km 8 da BR-174, estão reduzindo o tempo de suas penas fabricando medidores capazes de combater o furto de energia elétrica (o popular gato). Estimuladas pela mão de obra barata e pela possibilidade de prestar serviços sociais, empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) estão investindo em linhas de montagem nas dependências das penitenciárias.

Já são 34 presidiários - 24 homens na ala masculina e dez mulheres na Penitenciária Feminina, também no Compaj - que estão trabalhando em duas linhas de montagem da empresa Elo, construindo os medidores de energia, recebendo um salário mínimo e tendo a expectativa de serem contratados quando ganharem liberdade.

Eles trabalham oito horas por dia, e só não recebem férias, 13º salário, e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), porque as empresas não tem essa responsabilidade. Mas, para os internos, isso não têm muita importância. O que realmente vale para eles, além do salário, é que a cada três dias trabalhados eles tem um remido da pena.

Empolgação

O presidiário Berckson Cruz Mar, 36, condenado há oito anos por tráfico de droga, é o encarregado pela produção. Ele explica, empolgado, a tarefa diária na linha de produção. “Estamos montando 3 mil peças, por dia, de um medidor de energia, um antigato. São modelos novos que ainda não há no mercado”, diz. O detento se emocionou ao falar da importância  que o trabalho tem em sua vida. Berckson disse ter descoberto que é capaz de ganhar a vida trabalhando de forma legal, que está apaixonado por eletrônica e tem planos de cursar a faculdade de engenharia elétrica.

A dedicação ao trabalho já deu ao presidiário a promessa de uma possível contratação pela indústria Elo, assim que ganhar liberdade.

Para Berckson e seus colegas de linha de montagem, o trabalho no presídio representa a redução nos dias de cárcere e a pressa de ganhar a liberdade.

Segundo o secretário-executivo de Justiça e de Direitos Humanos (Sejus), Bernardo Encarnação, além da redução da pena, o trabalho dentro do presídio traz outros benefícios para os internos. Eles trabalham oito horas por dia e ficam menos tempo ociosos. Além disso, parte do salário que os presidiários recebem na unidade prisional vai para a família e a outra é destinada para o fundo penitenciário, uma espécie de poupança que o preso resgata assim que ganhar a liberdade.