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Manaus
MASSACRE

Depoimentos revelam esquema de corrupção de PMs e agentes no Compaj, diz Uol

Segundo o site, agentes penitenciários escondiam nas marmitas facas para entregar aos líderes da FDN e pistolas eram vendidas por até R$ 3 mil 10/11/2017 às 10:28 - Atualizado em 10/11/2017 às 10:36
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(Foto: Arquivo AC)
acritica.com Manaus (AM)

Policiais militares e agentes do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) vendiam armas para chefes da facção criminosa Família do Norte (FDN). Os objetos foram usados para assassinar os rivais durante o massacre de presos em Manaus no inicio do ano. As informações são do site UOL, do grupo Folha, em matéria publicada nesta sexta-feira (10). O texto baseia-se em depoimentos obtidos com exclusividade pela equipe do site.

Segundo a reportagem, as informações de corrupção envolvendo policias e agentes constam em inquérito conduzido pela Força Tarefa da Secretaria de Segurança do Estado do Amazonas (SSP) para investigar a chacina de 56 presos durante a rebelião do dia 1 de janeiro.

Em depoimento, conforme noticiado pelo site, um detento revela como funcionava o esquema de corrupção dentro do Compaj. Segundo ele, parte do armamento era levado por policiais militares responsáveis pelas vigilâncias nas guaritas da muralha a unidade prisional.

"As armas eram encomendadas a donos de 'bocas de fumo' da cidade de Manaus pelos 'líderes' da FDN que estavam encarcerados no interior do Compaj", disse o presidiário em depoimento, segundo o UOL. Pistolas com munição eram vendidas por valores entre R$ 1500 e R$ 3 mil.

De acordo com a publicação, a  partir daí, os traficantes entravam em contato com os policiais militares e repassavam a estes as pistolas, de variados calibres. Os objetos eram entregues desmontados e embalados com as munições.

Os policiais levavam as armas para o trabalho, e quando chegavam nas muralhas, jogavam os objetos em uma área de grama. Lá as armas eram recolhidas pelos detentos.

Esquema de agente

Ainda de acordo com o UOL, o detento também contou que funcionários do Compaj entregavam facas de cozinha, escondidas dentro das marmitas, para os chefes da FDN. Os agentes também traziam telefones e vendiam por cerca de R$ 150 ou R$ 200.

SSP responde

Procurada pelo Portal A Crítica, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) informou que, em decorrência dos crimes ocorridos em cadeias de Manaus em janeiro de 2017, uma força tarefa com a participação de diversos órgãos foi criada para apurar os fatos.

Segundo o órgão, a Polícia Civil do Estado abriu três inquéritos para investigar os homicídios cometidos durante as rebeliões no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa e na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

A SSP também destacou que os inquéritos referentes ao Compaj e a Cadeia Pública foram concluídos há cerca de 30 dias e entregues à Justiça. Atualmente, estão tramitando na 1ª Vara e 2ª Vara do Júri. O inquérito sobre as mortes na UPP está em fase final.

A secretaria ainda afirma que no decorrer das investigações, sobre o ocorrido no Compaj, houve indícios da participação de um ex-diretor do presídio, um sargento da reserva da Polícia Militar, em possíveis atos ilícitos. Mas as investigações ainda estão em curso e nada restou comprovado até o momento. Ressalta-se que um outro inquérito será aberto para cuidar especificamente do assunto.

A SSP ressalta que, havendo provas do envolvimento de qualquer agente da segurança pública em atos ilícitos, os acusados irão responder, também, administrativa e disciplinarmente junto à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas.