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Prevalência de casos de HPV em Manaus é de 50,3% nos jovens, aponta pesquisa

Estudo examinou 237 homens e mulheres voluntários de janeiro a outubro deste ano. Vírus sexualmente transmissível é causador do câncer de colo de útero 02/12/2017 às 10:08 - Atualizado em 02/12/2017 às 13:13
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A vacinação ainda é a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV (Foto: Arquivo/AC)
Silane Souza Manaus (AM)

Metade da população de 16 a 25 anos de Manaus, que participou de uma pesquisa do Ministério da Saúde em conjunto com o Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre (RS), tem papilomavírus humano (HPV). O resultado preliminar, divulgado no início da semana, aponta que a prevalência de casos de HPV na capital amazonense é de 50,3%, índice abaixo da média nacional de 54,6%, porém de igual modo preocupante, alertam especialistas.

De acordo com a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa),  Rita de Cássia de Jesus, a pesquisa do projeto POP-Brasil-Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV foi realizada com 237 voluntários, entre homens e mulheres, no período de janeiro a outubro deste ano. A coleta ocorreu em cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Manaus.

Os dados finais do estudo serão disponibilizados em abril de 2018. Contudo, o resultado já obtido pode auxiliar as ações de prevenção do vírus, que está associado a vários tipos de câncer, principalmente de colo uterino, pênis e boca. “A partir de agora vamos ampliar os horizontes, buscando parcerias com instituições de saúde e de pesquisa para que possamos tomar medidas de proteção e prevenção”, disse Rita.

Imunização

E uma das formas mais eficazes de prevenção é a vacinação. Conforme a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher, a vacina contra o HPV é ofertada pela rede pública para meninas de 9 a 15 anos e meninos de 11 a 15 anos. “A imunização é importante porque diminui a probabilidade dessas crianças e adolescentes terem alguma infecção pelo HPV no futuro. A vacinação é feita em qualquer unidade de saúde”, destacou.

O ginecologista da Unimed Gilson Corrêa explica que o HPV é uma infecção sexualmente transmissível, que em mais de 90% dos casos não evolui para uma doença. “Somente em cerca de 4% dos infectados provoca lesões no útero. O mais importante hoje é que se faça a prevenção primária com a vacina que está disponível”, afirmou destacando que a prevenção secundária também é importante.

Esta deve ser feita por meio de exames preventivos, como o papanicolau, por mulheres de 25 a 64 anos, público considerado de risco para câncer de colo de útero. “Os exames têm que ser feitos uma vez por ano ou a cada três anos em caso de dois resultados negativos consecutivos. Isso porque o vírus não se manifesta logo depois da transmissão, pode demorar dois anos, por exemplo”, ressaltou Corrêa.

Câncer

Corrêa destaca que o Amazonas tem uma das maiores incidência de câncer de colo de útero entre as capitais brasileiras e Manaus uma das maiores do mundo. A principal causa da doença é a infecção pelo HPV. “Nos países desenvolvidos a taxa de incidência desse câncer é em torno de 10% a cada 100 mil habitantes, no Brasil é 16%, no Amazonas 37% e em Manaus 53%. Precisamos de um programa abrangente para a vacinação”.

Ele evidencia que existem mais de 200 tipos de HPV, e 12 deles estão relacionados com câncer. No Amazonas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo médico em 2005, 75% do tipo de HPV encontrado é o número 16, um dos vírus mais relacionado com o câncer junto com o tipo 18, e para ambos tem vacina. “A quadrivalente imuniza contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Logo deve estar disponível a nonavalente”.

Média brasileira

Dados preliminares do projeto POP-Brasil-Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV apontam que, do total de pessoas que participaram da pesquisa (7.586), realizada em 26 capitais brasileiras e Distrito Federal, a prevalência estimada de HPV foi de 54,6 %, sendo que 38,4 % destes participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

A diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, explica a importância desse tipo de estudo para conhecer a prevalência da doença. “Até então, não havia estudos de prevalência nacional do HPV que possam medir o impacto da vacina no futuro. O sucesso da vacinação deve ser monitorado, não somente em termos de cobertura, mas principalmente em termos de efetividade na redução da infecção pelo HPV”.

O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens têm uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis.

Vacinação

Em 2016, foram aplicadas 56.789 doses da vacina contra o HPV no Amazonas, somando-se a primeira e a segunda dose. Só para a segunda dose, que é a finalização do tratamento e a imunização total, foram aplicadas 23.084. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (Susam). No ano passado, só meninas eram vacinadas contra HPV. Este ano, as vacinas foram aplicadas em meninos e meninas, imunizando 32.480 meninas e 7.148 meninos.