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Manaus
Cotidiano, Trânsito, Corujinhas, Lombadas Eletrônicas, Manaustrans

Principais avenidas de Manaus não dispõem de sinalização eletrônica

Manaustrans ainda faz estudos para “atestar a necessidade do deslocamento e nova instalação” dos “corujinhas" 06/04/2012 às 09:10
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Avenida André Araújo, no Aleixo foi um dos locais de onde o equipamento foi retirado
Milton de Oliveira Manaus

Avenidas de Manaus que receberiam radares eletrônicos (corujinhas) em novembro de 2010, transferidos de outras zonas da cidade, continuam sem os aparelhos. Das quatro avenidas anunciadas pelo Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), apenas duas - Coronel Teixeira, no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus  e Autaz Mirim, no bairro São José, Zona Leste da capital- possuem os controladores de velocidade.

À época, o Manaustrans informou que, além dessas duas, as avenidas do Turismo e Torquato Tapajós receberiam também as lombadas eletrônicas. No mês passado a reportagem de A Crítica esteve nesses locais e comprovou a falta dos aparelhos e de sinalização horizontal visível.

De uma extremidade a outra da avenida do Turismo foi comprovado que não há nenhum equipamento de controle de velocidade instalado, nem faixas de pedestres. Próximo ao Cemitério Nossa Senhora Aparecida, conhecido como Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, os pedestres têm que correr para atravessar a avenida.

O mesmo acontece com a Torquato Tapajós, na Zona Norte.

Do início ao final, não há radares eletrônicos. Na área do bairro Santa Etelvina, na mesma zona, uma faixa dá segurança aos pedestres na hora de atravessar a rua.

“Essa área é muito perigosa, e já houve acidentes. Então, nós temos que atravessar onde há um semáforo, porque é mais seguro”, disse a dona de casa, Marinalva Rosa, 34.

Avaliação
Em setembro de 2011, o Manaustrans informou que a previsão era de que, aproximadamente, 60 aparelhos estariam funcionando na cidade. Mas, na realidade, não é o que acontece.

Conforme o diretor de engenharia do Manaustrans, Walcir Silva, os aparelhos não foram instalados porque o órgão estava aguardando o Relatório de Estatísticas de Acidente no Trânsito.

“A partir desse relatório, vamos indicar os locais de maior risco nessas avenidas, para reposicionar os aparelhos”, afirmou. Segundo ele, o órgão instalará os aparelhos até maio.

Sobre o desgaste da sinalização horizontal, disse que elas serão restauradas. Ontem, a assessoria do órgão informou, que o Manaustrans ainda está fazendo estudos para “atestar a necessidade do deslocamento e nova instalação” dos corujinhas.

Na esquina da avenida Autaz Mirim com a rua “J”, no bairro São José Operário, Zona Leste, moradores comentaram que existe um “acúmulo” de elementos de trânsito na mesma área.

 “Aqui você tem uma passarela, faixas de pedestres, ‘corujinhas’ e, às vezes, os agentes de trânsito, os 'marronzinhos, tudo no mesmo lugar. Eu acho que deveria ter mais organização”, disse um taxista que preferiu não se identificar. Para ele, a faixa de pedestre do cruzamento da Autaz Mirim com a avenida Brigadeiro Hilário Gurjão, conhecida como “Rua do Fuxico”, está apagada, e, devido à falta de sinalização horizontal, os micro-ônibus do sistema alternativos atrapalham a circulação dos carros.

“Falta mais competência!”
De acordo com o doutor em Planejamento de Transportes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo Alves de Souza, a instalação e a retirada dos mesmos “corujinhas”, demonstra a “incompetência na identificação dos locais”, por parte do órgão responsável.

“Eles não reconheceram o erro. E dizer que a retirada dos aparelhos é devido ao fato de que a população se educou não é verdade. Os pedestres continuam sendo desrespeitados, embora haja veículos que param na faixa de segurança. Mas é algo tímido ainda”, afirmou o professor.

Ele disse também, que o comportamento do motorista é “superior” ao do pedestre.

“Infelizmente, a condição social de quem compra um carro, tem um poder mais forte do que o pedestre. Só com a disciplina no trânsito, podemos corrigir essa situação, porque carro e cidadão têm o mesmo direito de circular”, concluiu.

O valor do contrato de prefeitura com a Consladel, empresa responsável pela instalação dos equipamentos, foi de R$ 90 milhões. Oito lombadas eletrônicas estão instaladas na cidade, e 23 equipamentos de controle de avanço de sinais e paradas sobre a faixa estão conectados a semáforos. A redução das mortes no trânsito foi atribuída aos radares e campanhas.

Desabafo
Na Ponta Negra, próximo a um hotel, motoristas disseram ter sido uma “burrada” instalar um “corujinha” próximo a um retorno.

“Você, ao chegar aqui, tem que reduzir a velocidade. E há a sinalização horizontal indicando que você tem que dar a preferência. Então, para que radar?”, desabafou o morador de um dos prédios da orla da Ponta Negra, Gilberto Matias, 40.

Reinstalação
Até o final de maio e começo de junho deste ano o Manaustrans promete instalar as oito lombadas eletrônicas que foram retiradas das ruas cidade em novembro do ano passado.

A instalação ocorrerá seis meses depois da data prevista inicialmente pelo instituto. Segundo o diretor-presidente do órgão, coronel Walter Cruz, serão instaladas nove ao invés de oito lombadas em vários pontos da capital que concentram grande fluxo de veículo e que são classificadas como “críticas” para a segurança do pedestre manauense.

Entre elas estão, as avenidas Torquato Tapajós, Autaz Mirim, Coronel Teixeira, Governador José Lindoso (a avenida das Torres), Kako Caminha entre outras.

Início
O sistema de fiscalização eletrônica começou a ser implantado no dia 5 de maio de 2011 com um contrato de R$ 90 milhões firmado entre a prefeitura e a empresa Consladel. Segundo Valter Cruz, os R$ 90 milhões correspondem a um valor global e não significa que a prefeitura pagou essa cifra - ele explica que, deste montante, foram pagos R$ 23 milhões.

Já neste ano, o contrato teve um aditivo e também foi firmado em R$ 90 milhões. Deste total, Walter Cruz estima que sejam utilizados o montante de R$ 15 milhões até o final do ano.

O valor será aplicado na sinalização horizontal e vertical, além da revitalização do sistema de semáforos de toda a cidade. A reforma começará pelas zonas Norte e Leste, depois seguirá para Oeste e Centro-Oeste e, por último, chegará às zonas Sul e Centro-Sul.

Ampliação
Existem 37 equipamentos na cidade, sendo 21 de avanço de sinal e 16 de velocidade. Mas, diz Cruz, caso seja necessário a município pode alcançar o limite de 60 equipamentos previsto no contrato, sendo 30 de avanço de sinal e 30 de avanço de velocidade.