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Problemas no trânsito de Manaus poderiam ser resolvidos com intervenções simples

Fluxo de veículos pode ser combatido com ações nem sempre utilizadas 15/03/2012 às 07:17
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Vias próximas ao Carrefour de Flores são lugares críticos onde deveria haver intervenções viárias para facilitar o fluxo de veículos
Milton de Oliveira Manaus

Intervenções viárias aparentemente simples, como recuos em pontos de ônibus, que contribuem para o fluxo de veículos nas principais vias da cidade, foram menosprezadas pela Prefeitura de Manaus nos últimos anos. Motoristas que transitam pelas avenidas Djalma Batista, Constantino Nery, Autaz Mirim (Grande Circular) e André Araújo são vítimas da falta de obras do tipo.

O ponto de ônibus localizado na avenida Djalma Batista, em frente ao conjunto Eldorado, Parque Dez, Zona Centro-Sul, é um dos poucos exemplos ou, talvez o primeiro, que ganhou um recuo, que facilitará o fluxo de veículos com o estacionamento dos coletivos na via.

“Com os ônibus parando mais à direita, você tem espaço na via para passar e evita a formação de congestionamentos”, disse o condutor Miguel Paiva, 40, que aprovou a ideia. Outras vias que sofrem com o problema ainda não receberam intervenções semelhantes.

Na manhã desta quarta-feira (14), a reportagem de A CRÍTICA ouviu motoristas de carro de passeio, de ônibus, mototaxistas e usuários de coletivos sobre o assunto.

As opiniões foram diversas. “Eu acho legal, mas esse recuo é pequeno e mal cabem três ônibus. E o que vai acontecer com os outros que vem atrás, porque eles formarão filas e o trânsito ficará congestionado?”, questionou a estudante de enfermagem Keyla Albuquerque, 22.

O recuo situado em frente ao conjunto Eldorado mede aproximadamente 40 metros de comprimento e cerca de 4,5 metros de largura.

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que existem ônibus articulados de 21 e 25 metros, e os convencionais medem cerca de 12 metros.

Segundo motoristas e cobradores de coletivos, o recuo atrasará mais a viagem. “Primeiro que não cabem todos os carros. Na hora de sair da parada, você vai perder mais tempo porque os veículos que estão circulando não vão querer dar a vez”, disse o motorista da linha 217-Bairro da Paz, que pediu para não ter o nome divulgado.

Para os mototaxistas, esse tipo de iniciativa não dará mais fluidez aos veículos.

“Manaus tem poucas calçadas. Não sei como vão fazer para abrir tanto recuo. Para mim, a solução está em fazer com que a Djalma Batista, por exemplo, seja mão única”, disse Valdemir Ribeiro, 40. Ele fala também que as muitas ruas e avenidas, onde o fluxo de veículos é grande, deveriam seguir o exemplo da avenida Umberto Calderaro Filho (antiga Paraíba).

“Lá você tem o meio fio, mas ela é sentido único, fazendo com que os veículos parem menos”, lembrou.

Na Djalma Batista, em frente a um shopping center, agentes de trânsito colocaram cones para organizar o fluxo dos ônibus . “Quem passar por fora dos cones é multado pelos ‘marronzinhos’”, alerta o mototaxista Reinaldo Rodrigues, 38.

Obra está avaliada em R$ 211 mil
Por meio de nota o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) informou que, especificamente a obra de recuo na parada em frente ao conjunto Eldorado, avenida Djalma Batista, “foi realizada via Implurb, por meio de uma medida compensatória. Esse tipo de obra é realizado pela SMTU ou Manaustrans”. Ainda segundo o órgão, a obra está avaliada em R$ 211.309,26, valor que inclui no orçamento a construção da baia, calçamento e sinalização. Por tratar-se de uma “medida compensatória”, o Implurb comunicou que o dinheiro não sairia dos cofres públicos, mas de uma empresa privada, que está localizada na mesma avenida.

Sobre se esse tipo de iniciativa ocorreria em outros pontos de ônibus da cidade, o Implurb informou que não poderia responder, porque “não é de sua competência.

O tamanho do recuo, na parada, está sujeito à via. “Cada via tem uma classificação. Dependendo desta há um tamanho de recuo”, diz também a nota.