Publicidade
Manaus
Manaus

Produtores rurais afetados pela cheia dos rios terão acesso a fundo emergencial

Afetados pela cheia dos rios no Amazonas podem chegar a 30 mil famílias nas regiões do Purus e Juruá, estima o governo estadual. O Cartão Amazonas Social, no valor de R$ 400, chegará em boa hora 09/03/2012 às 14:37
Show 1
Nível dos rios subindo no Interior
acritica.com Manaus

Os produtores rurais do interior do Amazonas que tiverem perda na produção superior a 50% em virtude da subida das águas poderão ter acesso, após o período da cheia, a um Fundo de Emergência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no valor de até R$ 10 milhões. A decisão foi tomada durante reunião realizada em Brasília, no dia 1º de março, entre o titular da Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror), Eron Bezerra, e o ministro Mendes Ribeiro Filho. Além do fundo, o Governo do Estado ainda solicitou ao Mapa o refinanciamento e o perdão de dívidas dos agricultores afetados.

O governador Omar Aziz declarou, no último dia 6, que as cheias devem chegar a atingir 30 mil famílias nas regiões do Purus e Juruá. Ele disse ainda que este deve ser o número de famílias que o governo alcançará com o Cartão Amazonas Social, no valor de R$ 400.

  - “Apresentamos à equipe técnica do Ministério, o relatório que estima perdas entre oito e dez milhões de reais. E o Governo Federal se comprometeu em atender essa demanda por meio de um fundo emergencial”, afirmou Bezerra.

Ainda de acordo com o secretário, a previsão é que 4.500 produtores amazonenses sofram os efeitos negativos da cheia, porém esse panorama poderá mudar. “O número pode aumentar ou, inclusive, diminuir. É por isso que faremos a avaliação definitiva somente após a época das chuvas”, detalha Eron.

Outra proposta discutida com o Ministério da Agricultura prevê cobertura através do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) aos agricultores que tiverem financiamento no Banco da Amazônia ou no Banco do Brasil.

O Proagro garante aos pequenos e médios produtores a exoneração de obrigações financeiras relativas à operação de crédito rural de custeio, cujo pagamento seja dificultado pela ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças que atinjam rebanhos e plantações, na forma estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

BANCO DO BRASIL

O Governo do Estado também está tratando com o Banco do Brasil a criação de um convênio a fim de garantir cobertura aos que não têm empréstimo bancário. “Quando o produtor faz um empréstimo, automaticamente ele está coberto por um seguro agrícola. Queremos assegurar aos que não estão nesse sistema que ingressem mesmo sem ser financiado pelo banco”, explica Eron Bezerra.

Um estudo prévio dos escritórios do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) aponta que pelo menos 30% da produção do Estado será afetada pelas cheias dos rios. Plantações de mandioca, milho, feijão, arroz, banana, frutas, malva e criação de animais estão entre as culturas mais afetadas até agora.

A Cooperativa Mista Agropecuária de Produtores Rurais de Manacapuru Ltda. (Coomapem) estima que a perda na produção de juta e malva chegue a 40%. O Amazonas é o principal produtor de fibras do Estado, com produção anual de 12 mil toneladas.

Em 2009, a Sepror retirou mais de 20 mil cabeças de gado do rio na região de Manacapuru, distribuiu sal mineral e ração para animais, também por causa da enchente.

RECUPERAÇÃO

Em Brasília (DF), o secretário de produção rural do Amazonas também esteve reunido com o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Jorge Ernesto Fraxe. Na pauta, o apoio à recuperação de vicinais que ficam na faixa de cinco quilômetros de distância das rodovias federais. 

A parceria entre Governo do Amazonas e Dnit deverá beneficiar os municípios que possuem vicinais próximas às BR-174 (Manaus-Boa Vista); BR-319 (Manaus-Porto Velho); BR-317 (que liga o município de Boca do Acre a Rio Branco) e BR-230 (Transamazônica). “Até hoje já recuperamos aproximadamente 1.500 quilômetros de vicinais. A partir do convênio firmado com o Dnit pretendemos recuperar 5 mil quilômetros de vicinais”, finaliza o secretário da Sepror.

O levantamento das vicinais a serem revitalizadas deve ser finalizado pela equipe da Sepror até o fim deste mês. Em seguida, o relatório será encaminhado ao Dnit.