Publicidade
Manaus
FORA DO CARGO

Professor que participou de ato ‘pró-greve’ em Manaus é destituído de cargo na Seduc

Júnior Mar, que trabalhava no Centro de Mídia da Secretaria de Estado de Educação, diz ter sofrido retaliação. Ele deve ser realocado para outra escola 22/03/2018 às 11:48 - Atualizado em 22/03/2018 às 11:50
Show whatsapp image 2018 03 22 at 11.20.51
Foto: Divulgação
Isabella Pina Manaus (AM)

Júnior Mar, de 32 anos, é professor de Português, com mestrado, e integrante do quadro de Centro de Mídias da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Era, na verdade. Até a tarde desta quarta-feira (21), quando foi destituído do quadro de profissionais após se manifestar a favor da greve da classe, afirma.

“Ontem (quarta-feira, 21 de março), aconteceu um manifesto na sede da Seduc. A diretora entrou em uma sala - que eu não estava no momento - e falou para os professores do ógão: ‘espero que não participem da manifestação lá fora’. Isso é assédio moral puro. Enquanto isso, eu já estava lá fora. Peguei o megafone e me disse a favor da manifestação. Avisei, inclusive, que poderia ser chamado logo em breve pela direção. Mas afirmei: ‘eu não defendo a posição que ocupo hoje, mas, sim, a classe que eu defendo’”, relatou Júnior.

No mesmo dia, pouco tempo depois, o professor foi chamado na sala da direção para receber a afirmativa de que seria desligado do quadro de professores na sede por motivo de superlotação. Segundo Júnior Mar, a diretora exemplificou as participações ativas dele no movimento da categoria.

"A diretoria me chamou à sala dela e perguntou: ‘você sabe por que está aqui, né?’. Perguntei se era pela manifestação. Ela disse que não por essa, mas por toda a minha relação com as manifestações. Ela disse que estavam com superlotação no quadro e que eu seria relocado para alguma outra escola. Tenho mestrado. Questionei o porquê de ser eu. Ela disse que era irreversível. Ela está só cumprindo ordem superior”.

Júnior, ao esclarecer mais detalhes, cita com afinco o desrespeito e a perseguição política. "É ilegal, inconstitucional". O artigo 5º da constituição assegura isso. 

Nota da Seduc

A Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) informou por meio de nota que o servidor foi realocado em outra unidade educacional por conta da necessidade da disciplina de Língua Portuguesa na rede estadual de ensino.

“O Centro de Mídias conta com um excedente de professores em Língua Portuguesa e está alocando esse quantitativo nas escolas que possuem necessidade dessa disciplina, pois a prioridade são os alunos da rede. O servidor e outros nessa situação já haviam sido informados dessa reestruturação antes do início do ano letivo para o tecnológico mediado”.

Sobre a denúncia do professor, a pasta informou que “respeita o direito de manifestação e isso não tem nenhuma relação com a relotação, pois os cargos são da rede pública estadual e podem ser distribuídos onde houver necessidade de professor”.

Publicidade
Publicidade