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Professores da Ufam rejeitam a proposta do governo Federal

Docentes grevistas fizeram minunciosa análise na proposta feita pelo governo Federal e concluíram que teriam perdas salariais, pois o documento não leva em conta a inflação, e isto não configura um aumento real. 19/07/2012 às 20:44
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Professores da Ufam anunciam que não aceitam proposta do governo Federal e continuam com a greve.
acritica.com Manaus

Por unanimidade, os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em greve por tempo indeterminado, rejeitaram a proposta do governo Federal apresentada nacionalmente na última sexta-feira (13). A decisão foi tomada na tarde desta quinta-feira (19), durante Assembleia Geral (AG) da categoria, realizada no auditório da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF), no Campus Universitário. Por conta da deliberação, a greve continua forte até que o governo apresente uma proposta decente.

É que o aumento de 45% apresentado pelo governo federal está travestido de armadilhas, que se não fossem estudadas com cautela, como fez o Comando Local de Greve (CLG), durante toda a semana, na sede da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), poderiam ocasionar em perdas reais para a categoria.

O alerta foi dado pela administradora Ellen Lindoso, que, durante a AG, esclareceu os participantes sobre as perdas inflacionárias dos últimos dois anos e a previsão da inflação calculada para os próximos três, e que não estão embutidas na proposta apresentada pelo governo federal.

Segundo a administradora, o ganho real para os professores seria de 9%, quando descontadas as perdas inflacionárias dos últimos dois anos, acrescidas do dado de 2012, mais a projeção da inflação até 2015. Mas, esse percentual positivo só chegaria aos professores que estão no topo da carreira e que hoje representam apenas 10% da categoria, em nível nacional.

 “O reajuste dado pelo governo desconsidera a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”,

 “A imensa maioria dos docentes teria, na verdade, perdas salariais e não ganho real. O reajuste dado pelo governo desconsidera a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, comentou Ellen Lindoso.

Conforme levantamento feito pelo CLG, na Ufam apenas 21 professores, de um total de aproximadamente 1.700 teriam algum ganho mínimo.

Avaliação

No entendimento dos docentes, a proposta do governo federal apenas aprofunda a desestruturação da carreira, o produtivismo e os instrumentos externos que ferem a autonomia das universidades.

 “O Governo usa o argumento de restrição orçamentária para atender as nossas reivindicações, sinalizando dispor de apenas R$ 3,9 bilhões para gastar com a categoria, enquanto gastou mais de R$ 700 bilhões, em 2011, do orçamento da União com amortização e pagamento de juros da dívida”, diz um trecho do documento feito pelos docentes na última AG.

Para o presidente da Adua e um dos coordenadores do CLG, Antônio Neto, a decisão dos professores é uma resposta ao descaso do governo federal com a educação superior pública, gratuita e socialmente referenciada.

 “O governo apresentou um esboço de proposta que caminha no sentido oposto ao que reivindicamos. É uma proposta muito ruim. O nosso foco principal não é salário, mas a reestruturação da carreira”, ponderou Antônio Neto.