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Professores de escolas indígenas participaram de oficina sobre astronomia

A abertura oficial do observatório solar indígena ocorreu no dia 19 de outubro, com a presença de autoridades, banda local, alunos, professores e ritual realizado por pajé da etnia tukano 22/10/2012 às 19:46
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Na primeira atividade, eles montaram um pluviômetro usando garrafas pet, sob a orientação da bióloga Thaysa Nadal, que coordenou a montagem do instrumento
acritica.com Manaus

Cerca de 15 professores e coordenadores de escolas indígenas de diversas etnias participaram da primeira oficina realizada pelo Museu da Amazônia no município de São Gabriel da Cachoeira, em comemoração à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2012. Juntos, eles representavam cerca de 100 escolas do médio e alto rio Negro.

Na primeira atividade, eles montaram um pluviômetro usando garrafas pet, sob a orientação da bióloga Thaysa Nadal, que coordenou a montagem do instrumento. “O pluviômetro pode ser deixado na escola e vocês podem manter com os alunos um caderno de anotações registrando ao longo do ano as variações da chuva", disse Nadal.

 Também foi apresentado, na oportunidade, o projeto do Jornal Natural, desenvolvido pelo Musa. Os professores assistiram ao primeiro episódio do programa e discutiram com a coordenadora da iniciativa, Mariana Ferraz, como utilizar a série em sala de aula.

 "Foi muito interessante, porque eles trouxeram outras abordagens para aquilo que estava sendo mostrado, particularmente, sobre como combinar a visão da ciência ocidental com o conhecimento que eles detêm”, comentou Mariana Ferraz. 

Meteorologia e astronomia

Aos professores também foi apresentada toda a parte conceitual e teórica relacionada ao observatório solar. A atividade, conduzida por Germano Afonso, demonstrou um pouco da concepção de seus povos sobre o observatório.

 O professor Júlio tota, da EUA, contou com a ajuda do mestre em clima e ambiente, Veber Moura, para apresentar o funcionamento de uma estação meteorológica. Eles discutiram com os professores como associar o conhecimento ocidental do tempo e do clima com o conhecimento tradicional.

 Sebastião Tukano, do baixo rio Negro, revelou que os Baniwa e Curipaco viam o mundo através da observação do céu e suas constelações. Uma das dificuldades apontadas pelo conhecedor, diz respeito ao repasse dos conhecimentos, pois, como, muitas vezes não se tem como escrevê-los, esses conhecimentos permanecem na oralidade e se perdem.

Quem também se pronunciou foi o professor das redes estadual e municipal, que esteve representando 15 escolas, Franchinote Wanano: “Meu velho pai olhava para a constelação e sabia se teria verão ou não, e eu não dava importância, agora que estou atentando!” Ismael Tariano, professor e especialista em gestão escolar também deu seu depoimento: “fiz o que aprendi quando era criança e depois aprendi mais: escrevi algumas coisas sobre as histórias mitológicas do povo Tariano.  Hoje estou na cultura da prefeitura de São Gabriel”. 

Com informações da assessoria.