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Professores do Amazonas não formalizam denúncias contra escolas por medo de represálias

Ao serem obrigados por gestores a aprovarem alunos sem média, educadores devem registrar caso junto ao Sindicato 15/05/2012 às 08:41
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Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas, Marcos Libório, diz que coação acontece para que educadores ganhem 14º e 15º salários
Carolina Silva Manaus

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Marcos Libório, afirma que a “pressão” de alguns gestores de escolas da rede estadual de ensino para que professores aprovem alunos com baixo desempenho escolar ocorre frequentemente e que as denúncias precisam ser formalizadas na entidade para que sejam cobradas providências da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Para o professor, o que tem motivado essa prática irregular é o sistema de meritocracia implanto no sistema de educação, não somente no Amazonas, mas também em outros Estados.

“O gestor cobra do professor que ele aprove sem qualidade. Ou seja, aprova todo mundo pra dizer que a escola dele é de referência e conceituada, que não reprova ninguém. Mas, muitas vezes acaba coagindo os professores e gerando esse constrangimento para poder receber o 14º e 15º salários”, explica.

As denúncias feitas ao jornal A CRÍTICA acusam a coordenadoria das escolas do Distrito 4 (Zonas Oeste e Centro-Oeste) de obrigar os professores a realizarem avaliações extras para que a nota obtida pudesse substituir a que não alcançou a média para a aprovação do aluno. Neste caso, os professores relataram que precisam fazer quantas avaliações fossem necessárias para que o índice de aprovação fosse elevado.

Porém, outros professores informaram, que nessa segunda-feira (14), que essa prática tem sido cometida também nas escolas nos distritos das Zonas Norte e Leste. “Isso ocorre em todas as zonas distritais, mas os professores tem receio de denunciar porque existe a perseguição”, revelou uma professora que preferiu não se identificar temendo punições.

Outro professor relata que esta irregularidade praticada por alguns gestores tem causado transtornos aos educadores. “Temos que fazer avaliações para passar alunos preguiçosos. Isso é para agradar o Governo que só quer saber de números. Mas os professores que não aceitam essa posição dos gestores tem sofrido com as perseguições”, acrescentou.

De acordo com o presidente do Sinteam, a orientação é para que os professores denunciem o fato para que a situação seja levada à Seduc e até mesmo ao Conselho Estadual de Educação (CEE). “Esse tipo de constrangimento é crime. Nós já tivemos o caso de uma professora que nos procurou e ganhou uma ação contra o gestor que a obrigava aprovar alunos que tiveram rendimento abaixo da média. É importante que os professores saibam que ao denunciar essas situações será mantido o sigilo, mas precisamos ter as informações para tomar providências e evitar esse tipo de irregularidade”, declarou Marcos Libório.

A Seduc esclareceu apenas que “não há nenhum tipo de determinação para a aprovação, sem aprendizagem, de estudantes”. Sobre o corte do 14º e 15º salários, a Seduc explicou que se trata de uma política de valorização aos educadores cujas escolas obtiveram indicadores esperados, baseados em índices do Ministério da Educação.