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Manaus
REDE MUNICIPAL

Professores e pais acusam direção de escola de ‘perseguir’ alunos com cabelos pintados

Polêmica envolve a diretora da Escola Municipal Roberto dos Santos Vieira, na Zona Leste, e a Semed já acompanha o caso 19/10/2017 às 05:00 - Atualizado em 19/10/2017 às 09:34
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Com cabelos tingidos, alunos dizem terem sido ameaçados pela diretora. Foto: Winnetou Almeida
Álik Menezes Manaus (AM)

Adolescentes que estudam na Escola Municipal Roberto dos Santos Vieira, localizada no bairro João Paulo, Zona Leste da cidade, denunciam que estão sendo perseguidos e ameaçados pela diretora da escola. As investidas da diretora contra os alunos começou há uma semana, quando um grupo de alunos chegou à unidade com os cabelos tingidos de louro e vermelho. 

Um adolescente de 12 anos contou que, na tarde desta terça-feira (17), foi convocado a ir à diretoria para explicar os motivos de ter pintado o cabelo sem a “autorização” da diretora. O aluno relatou que o cabelo foi tingido há um mês, no dia do aniversário dele, com autorização da mãe.  “Engraçado, ela (a diretora) pinta o cabelo dela e quer mandar no nosso. Minha mãe deixou, isso é o que importa”, disse. 

Ainda conforme relatos do aluno, a diretora deu prazo até a próxima segunda-feira para que ele pinte o cabelo de preto, caso contrário o jovem e outros cinco adolescentes, de idades entre 12 e 16 anos, serão expulsos da escola.  Outro estudante, de 16 anos, que usava o cabelo tingido há cerca de dois meses, também contou que foi até a direção da escola e também foi constrangido pela diretora e recebeu um prazo para pintar o cabelo de preto novamente.

Segundo alunos, cerca de 20 adolescentes têm o cabelo tingido há meses, mas apenas no último mês a direção começou a “perseguir” os alunos. Um aluno de 13 anos disse que a mãe dele autorizou o “penteado” e o acompanhará até à escola na segunda-feira. 

Sem acordo na escola

A dona de casa Carolina da Silva, 33, disse que acha um absurdo esse tipo de determinação e que pais, alunos e professores não participaram de qualquer tipo de reunião para decidir “as regras e normas de convivência” da instituição de ensino. 

Um professor do ensino fundamental, que pediu para não ser identificado temendo represálias da Secretaria Municipal de Educação (Semed), disse que também não participou de nenhuma reunião sobre o tema na escola e que a decisão sobre os cabelos dos alunos cabe apenas aos pais. 

O educador afirmou que pelo menos seis alunos foram “notificados” pela direção na terça-feira, mas que a determinação atingirá também as adolescentes da escola e que elas seriam notificadas na tarde de ontem. A diretora não foi encontrada para comentar o caso. 

Semed acompanha denúncias

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que as regras e normas de convivência  estabelecidas na unidade de ensino foram acordadas com professores, pais e comunidade escolar e constam no regimento interno da escola.

 A chefia da Divisão Distrital Zonal (DDZ) Leste II, responsável pelas unidades da área, tomou conhecimento das reclamações e está acompanhando o caso. Contrariando o relato de alunos, professores e pais de alunos, que afirmam que houve ameaças de expulsão, a secretaria afirma que elas são improcedentes.

Até a tarde desta quarta-feira (18), um grupo de alunos ainda foi à escola com os cabelos tingidos e dois deles afirmaram que tinham medo da diretora, mas que não pintaram o cabelo de preto porque não tinham dinheiro ou os pais orientaram a não fazê-lo. 

Denúncias de intolerância

Essa não é a primeira vez que a diretora da escola se envolve em polêmicas com os alunos. Recentemente, conforme relatos de pais e alunos, a gestora não deixou uma adolescente ir para casa trocar de roupa após menstruar e a jovem foi alvo bullying por vários dias e quase abandonou a escola.