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Profissionais de saúde devem elaborar um plano para redução de casos de câncer de colo de útero no Amazonas

Inca e Fiocruz querem a criação de plano para a redução de casos da doença, que o Amazonas lidera 20/06/2012 às 08:35
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Para Marco Porto e Luiz Teixeira, a falta de consciência sobre a importância dos exames aumenta a incidência dos casos
Ana Celia Ossame Manaus

A liderança do Amazonas no índice de câncer de colo de útero em todo o País, com 600 novos casos previstos para este ano, traz a Manaus o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o seminário “O Controle dos Cânceres de Colo do Útero e de Mama no Brasil - trajetória, avanços e desafios”.

Segundo o médico Marco Porto, 50, o evento reunirá mais de cem profissionais de saúde e coordenadores da área das secretarias estaduais da Região Norte para trocar experiências e estimular a elaboração de um plano regional voltado para a redução desses números, que são vergonhosos para a região.

O médico Marco Porto e o historiador Luiz Teixeira, 50, trarão um painel mostrando a trajetória das ações empreendidas no País, com o objetivo de controlar esses dois tipos de cânceres. O câncer de colo, apesar de considerado um dos mais fáceis de prevenção e também de tratamento, ocasiona centenas de mortes de mulheres, sendo a quarta causa de óbitos entre pessoas do sexo feminino.

Falhas no sistema
“A Região Norte é líder dessa doença por conta da distância dos centros de saúde, por questões geográficas, da deficiência do sistema de saúde público e também da falta de conscientização sobre a importância do exame”, disse o médico Marco Porto, lembrando que apesar da alta incidência e da gravidade, as lesões iniciais podem ser detectadas pelo exame ‘Papanicolau’.

Segundo eles, a prevenção do câncer de colo é das mais simples e mais fáceis, por isso é possível mudar esse quadro. “O importante é que há necessidade de um plano para a Região Norte, discutido e elaborado por quem conhece essa realidade”, disse Marco.

Ele explicou que o objetivo do Inca e da Fiocruz é contribuir com elementos históricos, mostrando o que deu certo e o que não deu em outros locais, além do que sempre será necessário fazer. Entre essas questões, ele cita a organização de serviços de referência, como a realização do exame e o encaminhamento da mulher ao tratamento, caso o resultado do exame seja positivo.

“Não pode só dizer para ela procurar, mas encaminhar ao tratamento, isso precisa ficar bem  definido pelos profissionais de saúde”, explica Marco, lembrando que essas diretrizes fazem parte do Plano Nacional de Fortalecimento das Ações de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer do Colo do Útero, do Ministério da Saúde, lançado pela presidente Dilma Rousseff em março de 2011, em Manaus.

Processos devem ser avaliados
Um dos aspectos destacados pelo médico Marco Porto é que os programas de controle de câncer só apresentam resultados oito ou nove anos depois de lançados, daí a importância da avaliação dos processos para verificar a sua eficácia. Por isso, conhecer os processos que levam ao adoecimento e às mortes é fundamental.

A programação terá os seguintes debates temáticos: “O Inca e o Controle do Câncer no Brasil”; “Aspectos da Trajetória do Controle do Câncer Feminino no Brasil: Os primeiros passos da prevenção ao câncer de colo do útero no Brasil”; “A contribuição original da Fundação das Pioneiras Sociais”; “O Programa Viva Mulher”; “Trajetória das ações de controle do câncer da mama”; “Situação Atual do Controle dos Cânceres do Colo do Útero e de Mama no País e Região Norte”;  “Ampliação da cobertura da população-alvo com garantia de qualidade e de tratamento”; “Detecção precoce do câncer de mama: desafios para a Região Norte”; “A sociedade civil organizada e o controle dos cânceres do colo e de mama”; “A Telessaúde como ferramenta estratégica em programas de Saúde Pública”; “O controle do câncer no Brasil: história e preservação de um patrimônio da saúde”; “O Inca e o Controle do Câncer no Brasil: avanços para os próximos 25 anos”.

490 casos novos de câncer devem ser detectados, só na capital amazonense, de acordo com o Inca. O Papilomavírus humano, o HPV, é uma doença que está relacionada com 99% dos casos de câncer de útero na Região Norte.