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Manaus
dia das mães

Profissões cascudas com um toque sutil que só a mãe tem

Acha que lugar de mãe é bem longe dos octógonos, hangares e estúdios de tatuagem? Depois de ler as histórias destas guerreiras reunidas pelo MH, você enxergará o mundo de outra maneira, caro leitor! 09/05/2016 às 11:55 - Atualizado em 09/05/2016 às 17:19
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Kris Renée e sua filha, Krystal, 3, que se diverte com as tatuagens que a mãe possui (Aguilar Abecassis)
daniele brito e fabiane morais

Nada de horário comercial ou atividade comum da área feminina. No Dia das Mães, o MANAUS HOJE vai apresentar a história de algumas mães, digamos assim, ‘diferentonas’, que escolheram profissões que na maioria das vezes são dominadas pelo público masculino. Comprometidas, elas conseguiram destaque em suas funções e são exemplos de sucesso.

Uma guerreira nata, como toda mãe é, a lutadora de MMA Davina Maciel, 31, ingressou no mundo das artes marciais quando ainda era adolescente. Com 12 anos ela já lutava nas academias. Aos 20, se tornou a primeira mulher amazonense a participar oficialmente de um evento de MMA. Porém, em outubro de 2013 o destino reservou a maior surpresa da vida da atleta: ela descobriu que estava grávida. “Estava no auge da minha carreira e tive que parar tudo e viver uma vida cheia de novas descobertas. Fiquei com medo que senti de não conseguir ser uma boa mãe, mas o amor que brotou em mim me deu forças e hoje digo com toda certeza que a chegada do Davi foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, revelou a lutadora.

A chegada do pequeno Davi, em 2014, acabou afastando a atleta dos octógonos e tatames por pouco tempo. Seis meses após o nascimento do filho, ela ganhou o título de tricampeã brasileira de jiu-jitsu. Há duas semanas, Davina esteve no México para competir no Extreme Warriors Internacional, onde ganhou o cinturão do evento. “Quando cheguei ao México entrei em contato com o Davi e por vídeos nos falamos. Eu expliquei que estava lá para lutar e ganhar um cinturão. Na mesma hora ele falou: ‘Mãe traz logo o cinturão pra mim!’ Diante disso eu não poderia deixar de levar esse presente para ele”, confessou Davina, que chegou em Manaus na tarde de ontem, a tempo de receber o melhor presente do Dia das Mães: Um abraço bem forte do seu grande e verdadeiro amor, Davi.

Nos ares

Nilza Dias, mãe de um menino de 11 anos e Lidiane Elias, mãe de cinco filhos, aterrissam na matéria neste exato momento. Mas, se você pensa que elas são comissárias de bordo, está redondamente enganado. A dupla atua como mecânicas de aeronaves, profissão que enche de orgulho os filhos.

Elas se formaram na escola de aviação em Manaus, a Amazon Air. Nilza, que também atua como instrutora de auto-escola e está concluindo o curso, já tem planos para prestar o concurso para a vaga de mecânica seja na Aeronáutica ou Exército. Ela garante que os homens a respeitam, admiram e a incentivam a conquistar os objetivos. Jhonatan (11), único filho de Nilza já espalha para todos os colegas que tem uma mãe que trabalha com aviões. “Ele não vê a hora de eu me formar e fala para todo mundo que a mãe não é mecânica de carro e sim de avião”, conta aos risos.

Já Lidiane atua na área há mais de cinco anos, na Cleyton Táxi Aéreo (CTA). Ela é a própria representação da mãe brasileira batalhadora. Natural de Maués e mãe de Ruan Mailson (22), Larissa Nayara (20), Nathaly (15), Themely (13) e Yasmin (10) e sempre se interessou por atividades geralmente praticadas por homens. Ao chegar em Manaus, conseguiu um emprego na área de serviços gerais da empresa e em pouco tempo, apaixonou-se pela rotina da aviação e fez o curso pago pela CTA. Segundo Eduardo Maia, gerente comercial da escola, cerca de 25 mães já se formaram e trabalham com mecânicas de aeronaves. Para ele, o curso é desafiador e as mulheres que se formam, mostram-se tão capazes quanto os homens. Uma das particularidades é que a maioria das mães, são solteiras. Ao fazer o curso, elas mostram para os filhos e para a família, que são capazes e prover o melhor para eles, porque a aviação garante uma carreira promissora. “Percebo que as mulheres, em especial as mães tem um cuidado e carinho melhor com o dia a dia na profissão”, explica.

Tá na pele

A voz doce e a total rigidez com os cuidados e educação dos filhos impressionam quem vê a mãe Anny Sousa, que é tatuadora e tem parte do corpo coberto por tatuagens. Anny é mãe de Vitória (8) e Roberta Sousa (3) e se apaixonou pela universo da tatuagem aos 11 anos. Aos 17, fez a primeira ‘tatoo’ escondida dos avós superconservadores, que hoje aceitam a profissão descolada da filha/neta. Se precisou derrubar o preconceito no passado, hoje, ela convive com admiração de sobra dentro de casa, principalmente por parte das filhas e da ‘coleguinhas’ de escola de suas princesas, que acham super legal ter uma mãe moderna com desenhos bonitos pelo corpo. “Não é porque sou eu sou uma mãe tatuada, que sou desleixada em relação as minhas filhas. Eu sou rígida, pego no pé mesmo. Faço o papel da mãe chata que fica em cima todo o tempo”, confessa Anny, que tem uma rotina flexível para cuidar e se dedicar às filhas.