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Manaus
Enem

Projeto Bambú auxilia os internos na preparação para as provas

Todas as aulas são ministradas na biblioteca do complexo penitenciário e o sonho deles é ter dias melhores quando ganharem a liberdade 07/05/2016 às 18:56 - Atualizado em 08/05/2016 às 13:37
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Pelo menos 20 presos condenados do Compaj poderão estão estudando para fazer as provas do Enem (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Joana Queiroz Manaus (AM)

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem-PPL) ainda nem começaram, mas desde o início do ano aproximadamente 20 internos do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da BR-174, vêm se preparando para concorrer a uma vaga no ensino superior.

É na biblioteca do Compaj que os detentos se preparam para as provas do Enem, tentando, por meio de um bom resultado, conquistar uma vaga em uma universidade e conseguir, assim, dar um novo rumo à vida deles. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ainda não há um balanço de quantos detentos devem fazer as provas, uma vez que as inscrições começam na segunda-feira.

Dois professores e um monitor fazem o acompanhamento da turma de detentos que, pela segunda vez, vai fazer o exame, após um período intenso de preparação e estudos por meio do Projeto Bambu, uma iniciativa que pretende viabilizar o processo de ressocialização apostando na educação.

“Os internos têm em mente que a disputa  não é só entre eles, mas principalmente com quem está do lado de fora e tem todas as ferramentas, como a internet, e recursos à disposição”, analisou o secretário da Seap, Pedro Florêncio. O secretário   afirma que incentivar os detentos a estudar é um fundamental para a reintegração deles na sociedade. “Por meio do da leitura e do estudo, os internos, principalmente os que já estão condenados, descobrem que podem melhorar as condições de vida trabalhando de forma honesta, sem se envolver com o crime”, explicou.

Isso sem falar nos benefícios, como a remissão de pena. “Eles também estudam por meio da leitura de livros para a remissão de pena. Assim, além de encurtar a ‘estadia’, eles vão obtendo conhecimento”, disse.

Bolsas de estudo

Dos 16 detentos do Amazonas que tiveram bom desempenho no último Enem-PPL, três homens que cumprem pena no regime fechado do Compaj conquistaram bolsas para cursar o ensino superior em instituições privadas da capital e conseguiram dar início ao tão sonhado processo de ressocialização.

Mário Fernando Oliveira de Souza, de 59 anos, é um deles: ele passou na primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e deve cursar ciências biológicas em uma instituição federal.

A Seap informou que irá realizar a matrícula dos detentos, com  a autorização do Poder Judiciário, e que está analisando qual será a medida adotada para que os detentos possam cursar a faculdade, já que no regime da pena em que se encontram, eles não podem sair.

Incentivo à educação nas cadeias

O incentivo aos estudos tem sido reforçado em todas as unidades do sistema prisional da capital e do interior, garantiu Pedro Florêncio, da Seap.  “O Governo do Amazonas está em busca de promover espaços e oportunidades de estudo para todos os internos do sistema”, disse.

Com as aprovações de presos em universidades ano passado, o sistema prisional do Amazonas passa a ter quatro detentos aptos a cursar o ensino superior.  “O objetivo é motivá-los em busca de uma capacitação para alcançar novos objetivos quando retornarem ao convívio social fora das prisões”, lembrou o secretário Pedro Florêncio. De acordo com o secretário, para fazer as provas do Enem o preso tem que ter concluído o ensino médio.