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Projeto ‘Casa do Ribeirinho’ deve favorecer meio ambiente e famílias do interior do Amazonas

Responsáveis por projeto de casa modelo na RDS do Uatumã querem viabilizar construções via “Minha Casa, Minha Vida” 19/03/2013 às 11:35
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Estrutura é feita pelos próprios moradores, com madeira legalizada, que aprendem ainda como interpretar um projeto
Anderson Silva ---

Um novo modelo de casa pode mudar de forma significativa a qualidade de vida da população de baixa renda, do interior do Amazonas. Valorizando a saúde, autoestima e o meio ambiente do caboclo, a “Casa do Ribeirinho” promete dar mais conforto à família e ajuda a preservar a qualidade dos rios e do lençol freático. A construção demora, em média, sete dias.

Criada há mais de três anos pelos arquitetos Deborah Paes e Sérgio Santos, com mais de 12 anos de carreira, a casa de madeira legalizada possui 53 metros quadrados, com dois quartos, sala e cozinha, além de área de serviço e um banheiro dentro da residência, com sistema de tratamento de efluentes, que não polui o meio ambiente. “Essa casa foi planejada a partir da necessidade dos ribeirinhos de possuírem uma habitação adequada para a realidade amazônica, em função das enchentes, áreas de várzea e dos lugares muitos longínquo”, explicou o arquiteto Sérgio Santos.

Na procura de soluções para a qualidade de vida e preservação do meio ambiente, os autores do projeto resolveram fazer diferente. Se antes os ribeirinhos usavam o fosso - distante da residência - como banheiro, a nova casa terá também tratamento de esgoto, sem degradar a natureza. “A satisfação do ribeirinho é muito grande, principalmente por causa do banheiro. A pessoa mora numa casa de palha, às vezes sem chão e sem banheiro, e passa a ter uma com vaso sanitário e tratamento de esgoto, o que melhora a saúde, o saneamento básico e a qualidade de vida”, afirmou o arquiteto.

O local que muitas vezes é algo banal para os moradores da cidade, não é para os ribeirinhos. O banheiro é a parte que mais chama a atenção. “Uma vez fomos à escola e perguntamos às crianças qual o melhor lugar da casa. Todos disseram: o banheiro. Quando eles veem o banheiro, acaba se tornando o melhor lugar da casa. Quando as pessoas não conheciam o banheiro, eles se conformavam em ir ao mato; agora eles viram que é mais cômodo”, disse Sérgio Santos.

Cada casa do projeto terá um reator anaeróbio, estrutura que por meio de micro-organismos localizado no topo, separa a biomassa, sendo os gases, separados na base, fazendo o processo de purificação da água não aproveitado da casa, sendo despejado no solo, sem prejudicar o meio ambiente.

Projeto venceu licitação no AM

Em 2010, os arquitetos Sérgio Santos e Deborah Paes, venceram a licitação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para construir 133 casas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, localizada no município de São Sebastião do Uatumã (a 246 km de Manaus), há três anos. 

“A casa é boa e muito organizada. Antes de ganhar a casa, eu vivia sem conforto. Isso mudou minha vida. Hoje tenho um banheiro, antes eu tinha que ir atrás de casa. Agora eu nem preciso sair mais. Toda comunidade gostou e estamos vivendo com mais qualidade”, disse o morador da comunidade Valdino Bernandes Pimental, 43.

A ideia do projeto também busca valorizar o emprego e renda dos moradores das comunidades. Preocupados com a construção das casas, os engenheiros elaboraram medidas alternativas para que toda montagem da obra não tivesse interferência de pessoas da capital. “O próprio morador constrói a casa, a maioria deles possui conhecimento de carpintaria, aí fazemos com que eles aprendam a ler um projeto, conheçam as técnicas de construção, pintura”, disse Sérgio Santos.

Os arquitetos esperam que o projeto possa ser inserido no programa de habitação do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”, mas para ser destinada apenas à população ribeirinha, uma vez que as casas de alvenarias não se encaixam no perfil amazônico das moradias das orlas do rio. “Estamos apresentando o projeto para os representantes da Caixa no Amazonas, para que possamos levar o projeto para todo o interior. Este projeto serve para substituir as casas de alvenaria que não se encaixam na nossa realidade. Todos da Caixa aqui do Amazonas gostaram e estão esperando o aval de Brasília”, disse Deborah, que aguarda por uma resposta positiva. Ela afirmou que espera ver as casas construídas, em grande parte da área ribeirinha do Amazonas até 2014, no valor de R$ 30 mil para os moradores.