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Manaus
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Projeto de complexo de estaleiros no lago do Puraquequara segue travado

Representantes do setor naval em Manaus reagiram à possibilidade de instalar o polo em outro município, como Itacoatiara 10/05/2016 às 10:29
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Sem um polo naval estruturado, estaleiros se distribuem de forma desordenada na orla de Manaus. Projeto original prevê instalação do polo no Puraquequara (foto: Arquivo AC)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Convidado a se manifestar sobre os avanços no projeto do Polo Naval do Amazonas, Thomaz Nogueira, que hoje lidera a Secretaria de Estado do Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Ciência Tecnologia e Inovação (Seplancti), mencionou que, enquanto o projeto continua sendo visto como uma prioridade para o governo, Manaus não é o único lugar viável para sua implementação. “Nós temos diversos locais que reúnem condições [de receber o polo]. Pode ser em Itacoatiara, por exemplo”, declarou.

A afirmação foi proferida como uma provocação, como explicou o próprio secretário, a representantes de entidades civis e militares ligadas a navegação, que se reuniram no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) nesta segunda-feira (9) para uma audiência pública que objetivava justamente saber do governo em que estágio estavam as discussões para concretizar o projeto, que prevê a instalação de um complexo de estaleiros na área do lago do Puraquequara.

Alguns dos presentes, como Matheus Araújo, presidente do Sindicato da Indústria Naval, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), mostraram incredulidade diante da sugestão de Itacoatiara como localização do polo naval, alegando que tal medida deixaria o empreendimento fora da área de abrangência da Zona Franca de Manaus, dificultando a importação de equipamentos. “O polo naval não precisa ser necessariamente pelo caminho da Zona Franca. Existem diversos outros mecanismos tributários com os quais podemos trabalhar”, retrucou o secretário.

Thomaz reiterou que o projeto não está parado, apenas passando por um processo de reavaliação. “Temos que ir além do Polo Industrial de Manaus, pois, se nós desconsiderarmos a exploração de petróleo [em Coari] e de cassiterita [na Vila de Pitinga], nós temos uma concentração de mais de 90% da atividade econômica do Estado no território de Manaus, que representa apenas 0,02% do território. Nós temos uma realidade geográfica que pode e precisa ser trabalhada”, disse o gestor.

Segundo ele, caso a reavaliação e os estudos técnicos constatem que Manaus é o melhor lugar para instalação do polo, a cidade será contemplada com ele. No entanto, Sinésio Campos (PT), deputado que convocou a audiência pública, lembrou que isso já foi averiguado previamente. “Foi feito, pelo próprio Governo de Estado, um estudo de locais e chegou ao entendimento da então Seplan, não o nosso aqui, que o local mais adequado para a implantação seria no Puraquequara”, retrucou Sinésio.

Crise pode favorecer implantação

A audiência pública foi convocada pelo deputado Sinésio Campos, que acredita que a pauta já era para ter sido resolvida há muito tempo e que o atual cenário econômico do País, mais especificamente do Estado, pode servir de força-motriz para a concretização do polo naval.

“Se esse debate não se efetivou pelo amor, vai ser pela dor. A crise está instalada no País e no Amazonas não é diferente. A Zona Franca, que sempre teve uma galinha de ovos de ouro no Polo Industrial de Manaus [PIM], não tratou de cuidar de outras vertentes”, declarou o parlamentar.

O evento contou com a presença de líderes de sindicatos que lutam para o projeto ir para a frente.

Matheus Araújo, do Sindnaval, disse que, do jeito que se encontra, a fabricação naval no Amazonas já é a segunda maior do Brasil, somente perdendo para o Rio de Janeiro e que, se instalado corretamente, o Polo Naval do Amazonas pode gerar o 60% do faturamento do PIM em 10 anos.