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Projeto visa diminuir os altos índices da distorção entre os alunos do Amazonas

Desenvolvido desde 2006, o projeto oferece atendimento diferenciado a crianças do Ensino Fundamental, da 1ª a 5ª série e de adolescentes da 6ª ao 9º ano, com dificuldades na aprendizagem 13/04/2012 às 07:43
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Fátima Freire, professora e gestora da Escola Estadual Mirtes Marques Trigueiro, com alunos do projeto “Avançar”
Maria Derzi Manaus

Há um ano o estudante Márcio Lima da Costa, 14, não sabia ler e escrever e apresentava, dificuldades em articular as palavras, com problemas para entender Matemática. Márcio cursava o 3º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Profª Mirtes Marques Trigueiro, no Coroado, Zona Leste, mas não conseguia progredir.

“Eu não conseguia ler. Para mim era muito difícil”, disse o aluno. Foi então que a direção da escola identificou o problema e  o integrou ao projeto “Avançar”, criado  pela Secretaria de Estado da Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) para diminuir os altos índices da distorção idade/série entre os alunos da rede estadual de ensino.

“Agora eu sei ler bem e estou aprendendo mais sobre  Matemática, Ciências e Geografia. Estou estudando muito  para, um dia, entrar na faculdade”, disse o aluno.

Márcio está entre os 52.284 alunos que têm distorção idade/série, 18,7% dos estudantes  da rede estadual de ensino,  atendidos em 180 turmas do projeto “Avançar”, instaladas em todo o Amazonas.

Desenvolvido desde 2006, o projeto oferece atendimento diferenciado a crianças do Ensino Fundamental, da 1ª a 5ª série e de adolescentes da 6ª ao 9º ano, com dificuldades na aprendizagem, que recebem atenção de 100 professores nas fases iniciais e 400 nas finais do Ensino Fundamental.

Foram os professores que detectaram a necessidade de correção escolar idade/série, diante dos altos índices da distorção. “A principal causa para essa distorção é a repetência que ocorre, principalmente, nas séries iniciais. Nas séries finais, existem projetos e programas de educação de jovens e adultos”, explicou a pedagoga Janilce Negreiros, uma das coordenadoras do projeto.

A metodologia  diferenciada é aplicada em quatro fases. A fase 1 é a mais crítica por compreender alunos não alfabetizados.  “Da fase dois em diante, para alunos com alfabetização mal sucedida aplicamos um conteúdo específico, com base na análise do professor”, disse.

Segundo a professora da 2ª fase,  Suellen Mendes, o trabalho inicia-se com a valorização da auto-estima dos alunos.

“Eles vem acreditando que não conseguem aprender. Eu os incentivo, os envolvo em atividades lúdicas, jogos, textos, trabalho em grupo. Tivemos um grande avanço. Eles já sabem ler e escrever e apresentam qualidade no aprendizado”, explicou a mestre.

Confiança após os problemas
Dedicada em sala de aula, Renata Souza, 10, está confiante em obter ótimos resultados no final do ano. Ela quer ser professora. “Quando eu entrei  na turma eu estava na 2ª série. Eu repeti de ano porque não sabia ler. Agora, estou na 4ª série. Eu aprendi a ler e escrever  melhor, sei matemática, ciências. Eu gosto mais de português, porque agora eu posso fazer redação”, disse o aluno.

Na fase 3, o estudante Rafael Magalhães, 11, é um dos exemplos de sucesso. “Eu aprendi tudo. Aprendi ‘conta’, interpretação de texto. Tinha problema em matemática, mas agora já recuperei. Eu quero ir logo para a 6ª série por isso tô estudando muito”, disse o aluno, confiante.

Avaliação
No final do ano os alunos são submetidos a uma avaliação. “Verificamos o grau de aprendizagem e se estão aptos a dominar as disciplinas das séries avançadas. Eles podem alcançar até a 6ª série”, disse a gestora Fátima Freitas.