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Manaus
ZONA AZUL

Promessa do sistema de estacionamento rotativo em Manaus não sai do papel

Popularmente conhecido como “Zona Azul”, sistema é prometido desde 2010.Uma empresa foi contratada em agosto de 2015 para implantar o projeto 22/11/2017 às 09:37
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Motoristas que precisam estacionar no Centro reclamam da falta de vagas e da ‘extorsão’ praticada por guardadores. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

Promessa da Prefeitura de Manaus desde 2010, o sistema de estacionamento rotativo, que ficou popularmente conhecido como “Zona Azul”, deveria ter sido implantado nas ruas da capital em novembro de 2015, mas, dois anos depois, o projeto ainda não saiu do papel. Diante da a omissão do poder municipal, motoristas continuam “reféns” de flanelinhas, que dominam as ruas do Centro.  

Ainda na promessa, o sistema de estacionamento rotativo continua apenas no sonho das pessoas que trabalham ou precisam ir ao Centro fazer compras ou passear. “Eu penso muito antes de decidir vir ao Centro. É simplesmente horrível conseguir estacionar. Quando, enfim, a gente consegue uma vaga, quem está lá? Um flanelinha, pronto para nos extorquir. Sim, extorquir, porque se a gente não paga, eles ameaçam e até depredam nosso carro”, desabafou a autônoma Adriane Rocha, 30. 

O bancário Cláudio Santos Braga, 28, também sofre diariamente para estacionar o carro próximo do trabalho. Segundo ele, há flanelinhas que cobram até R$ 15 por dia para “reparar” o carro e, na maioria das vezes, sequer ficam próximos do veículo. “Eu até entendo que seja a forma que eles conseguem sustentar a família deles, mas é absurdo nós sermos praticamente ameaçados. Se não pagar um dia ou pagar menos do que eles cobram, no outro eles não deixam estacionar ou arranham o carro”, contou. 

Vagas reservadas

Em alguns locais, como nas ruas 24 de Maio e Barroso e na avenida Eduardo Ribeiro, é comum flagrar flanelinhas “guardando” vagas com cones e baldes. Em outra reportagem, A CRÍTICA mostrou, inclusive, que alguns deles estacionam os veículos de clientes em vagas reservadas a idosos e portadores de deficiência.

A atitude, que não é fiscalizada pela Prefeitura de Manaus, causa indignação em moradores da área central e de motoristas que tentam estacionar. “Eles (guardadores de carro) agem como se fossem donos das vagas nas ruas de Manaus. No Centro é pior ainda, eles bloqueiam as vagas com pedaços de madeira e não deixam estacionar”, afirmou a auxiliar de escritório Regina Célia do Carmo, 28. 

Contrato foi assinada há 27 meses

 Em agosto de 2015, a Prefeitura de Manaus e o Consórcio Amazônia assinaram o contrato para operacionalização do sistema, que vai contar com sensores no asfalto para detectar a hora em que o veículo estaciona e profissionais com equipamentos portáteis para monitorar o tempo utilizado pelo usuário.

Esses equipamentos serão utilizados para controle da rotatividade, monitoramento e respeitabilidade do sistema pelo tempo de utilização das vagas. A meta é disponibilizar 3,2 mil vagas de estacionamento, no Centro.

No ano passado, em entrevista ao A CRÍTICA, o então diretor-presidente do Manaustrans, Eudes Menezes Albuquerque, alegou que a implantação do Zona Azul sofreu atrasos por dois fatores: o primeiro foi o clima que, segundo ele, dificultou que a empresa responsável pelo sistema - Consórcio Amazônia - realizasse o preparo e a pintura das vagas nas ruas que vão receber o novo mecanismo e, o segundo, as obras de revitalização da avenida Eduardo Ribeiro.

Dois anos depois, mais 'estudos'

Questionada pela reportagem de A CRÍTICA sobre os motivos do atraso e novos prazos para implantação do projeto Zona Azul,   a Prefeitura de Manaus, por meio de nota, informou que o corpo técnico do Manaustrans está “analisando as tecnologias e mecanismos” para a melhor implantação do projeto Zona Azul no Centro.

 A nota informa ainda que, na atual fase, a equipe envolvida estuda a ampliação do sistema de estacionamento rotativo para outros pontos da cidade, mas não apontou quais são elas.

Quando todas as fases estiverem concluídas, a Prefeitura de Manaus informou que fará ampla divulgação sobre os procedimentos para a utilização do Zona Azul, no entanto, não informou prazos para que esses projetos comecem a ser implantado no Centro e nas outras áreas da cidade, assim como não informou o valor já investido nesse projeto, até hoje.

Sensores instalados

Na rua Monsenhor Coutinho, no Centro de Manaus, alguns sensores foram instalados ainda no ano passado, como iniciativa para controlar o estacionamento, mas o projeto não foi adiante. Os guardadores de carro daquela área ficaram “revoltados” com a iniciativa e dizem que há outros problemas mais sérios para a prefeitura se preocupar.

Centenas no Centro

Segundo dados da Associação dos Guardadores e Lavadores de Veículos do Amazonas (Aglavam), 600 flanelinhas atuam em ruas do Centro da cidades. Destes, 200 podem ser incorporados pelo sistema de estacionamento rotativo - esses profissionais atuariam como fiscais das vagas.